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12/11/2007-Executivos brasileiros ainda n√£o possuem o perfil global desejado

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Valor Econ√īmico
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Ghemawat diz que o fato do país ter tido uma economia fechada por muitos anos comprometeu o geração de talentos

Os executivos brasileiros ainda n√£o est√£o preparados para a era da globaliza√ß√£o. √Č o que afirma o economista indiano Pankaj Ghemawat, renomado especialista em estrat√©gia empresarial que esteve em S√£o Paulo semana passada para participar da ExpoManagement. Na sua vis√£o, h√° duas grandes lacunas: a barreira da l√≠ngua e a falta de experi√™ncia internacional. "Situa√ß√£o que √© bem similar em toda a Am√©rica Latina", avalia. "Muito embora, nesse ponto, o Chile esteja na dianteira".

 

Para Ghemawat - professor da IESE Business School e de Harvard- , que j√° acompanhou o processo de reestrutura√ß√£o e venda do grupo Bozano Simonsen, esse cen√°rio √© fruto de uma economia que ficou fechada por muitos anos durante o per√≠odo de ditadura militar. "Isso comprometeu o desenvolvimento de talentos". No entanto, acredita que o Brasil se destaca em rela√ß√£o aos demais pa√≠ses do Bric (bloco de na√ß√Ķes emergentes formado pela China, √ćndia e R√ļssia). "Ele ainda √© mais rico do que a √ćndia", diz. J√° China e √ćndia, diz Ghemawat, apesar de terem m√£o-de-obra abundante, possuem poucos recursos. "Ao contr√°rio da R√ļssia que sofre com escassez de gente. Tanto que o pa√≠s vem intensificando o movimento de "mporta√ß√£o" de talentos", diz.

 

A preocupação em não perder espaço na corrida global por não encontrar talentos no mercado, está presente, especialmente entre as empresas que hoje buscam sua internacionalização. Um estudo inédito realizado pela Booz Allen Hamilton, obtido com exclusividade pelo Valor , e que ouviu cerca de 40 executivos de 14 empresas na Argentina, no Brasil, no Chile e no México que estão passando por diferentes estágios de internacionalização, mostra que encontrar as pessoas certas para tocar o negócio é considerado um dos maiores desafios destas companhias. A maior parte delas ganhou espaço em relação às multinacionais instaladas na região latino-americanas e passou a competir de forma mais agressiva no complexo cenário global, após consolidar seu crescimento interno.

 

Mas apesar de terem conquistado mercado, se defrontam a escassez de talentos mundial. Entre os riscos de uma pol√≠tica mal sucedida de recursos humanos detectou-se a a inabilidade para entender os diferenciais da empresa e adapt√°-los √†s necessidades internacionais, fracasso na transfer√™ncia de conhecimento para replicar as vantagens competitivas da matriz. Fatores que podem desacelerar o processo de internacionaliza√ß√£o e, conseq√ľentemente, levar a uma perda de competitividade.

 

A expatria√ß√£o (transfer√™ncia para outro pa√≠s) est√° entre as quest√Ķes de maior preocupa√ß√£o do RH hoje. O estudo revela que as companhias preenchem as vagas de CEO (Chief Executive Officer) ou do principal executivo de opera√ß√Ķes internacionais com expatriados, numa tentativa de manter o controle e disseminar as melhores pr√°ticas corporativas, ao mesmo tempo em que conferem maior autonomia √† atua√ß√£o no exterior. Caso o CEO seja um executivo local, a tend√™ncia √© expatriar um profissional de confian√ßa para um cargo-chave (diretor financeiro ou de tecnologia da informa√ß√£o).

 

Mas a pesquisa da Booz Allen aponta, em contrapartida, que a expatriação excessiva ou mal planejada pode ter impactos negativos. Muitos executivos responsáveis pela área de internacionalização mencionaram, por exemplo, que em nome de um suposto aproveitamento internacional de talentos, muitos diretores de unidades de negócios acabam valorizando profissionais inadequados. E mesmo quando a expatriação atrai as pessoas certas, pode existir o esvaziamento de pessoal na matriz.

 

O turnover √© um outro problema: com freq√ľ√™ncia, ap√≥s o alto investimento nestes recursos, as empresas perdem talentos - seja porque estes profissionais acabam seduzidos por propostas vantajosas da concorr√™ncia, ou porque, ap√≥s a repatria√ß√£o, eles n√£o sentem que sua experi√™ncia internacional √© valorizada em casa.

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