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10/4/2007-Empresas criam novos cargos na área de governança

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Aos 31 anos, Rodrigo Pecchiae é dono de informações sigilosas que fariam inveja a qualquer executivo da Brasilprev. Ele simplesmente fica sabendo antes todas as grandes decisões que podem afetar os rumos da empresa. Com trânsito livre na presidência, conselho de administração, diretorias, comitês consultivo e de auditoria, ele ocupa uma função até então inédita na companhia: ele é assessor de governança corporativa.

Pecchiae não é o único com esta missão, mas faz parte de um grupo ainda restrito de profissionais que está desbravando novos caminhos nas empresas brasileiras interessadas em aprimorar seus sistemas de gestão. São assessores, gerentes e até diretores especializados em governança corporativa. "As oportunidades estão surgindo em duas vertentes: uma mais externa, onde o objetivo é cuidar do relacionamento com investidores; e outra mais interna, cuja missão é assegurar que as práticas de governança sejam respeitadas por todos da companhia", diz Alexandre de Miceli, professor de finanças da FEA/USP.

"As empresas que abriram capital recentemente estão começando a procurar esses profissionais e a mapear os melhores candidatos no mercado", diz Ricardo Bevilacqua, presidente da Case Consulting, especializada no recrutamento de executivos. Sua empresa selecionou três executivos para cargos dessa natureza no ano passado e já tem a missão de encontrar mais um este ano. "A demanda vem crescendo", diz. Os salários para assessores e gerentes, segundo ele, podem chegar a R$ 14 mil mensais e para os diretores, até R$ 22 mil.

O profissional que as empresas buscam para esses cargos não possui uma formação específica, segundo Bevilacqua. "Elas querem alguém mais ligado às ciências humanas, da área jurídica, de auditoria ou recursos humanos, mas o importante é que o candidato tenha uma visão estratégica do negócio e, principalmente, habilidade para lidar com as pessoas", explica.

Para ajudar a preparar os executivos interessados nessas novas oportunidades de carreira, a Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap) está lançando este ano a primeira pós-graduação, lato sensu, dirigida à formação de profissionais para atuar na área de governança e sustentabilidade. "São dois temas interdisciplinares e transversais nas empresas", explica Marcelo de Aguiar Coimbra, coordenador pedagógico do novo curso.

Rodrigo Pecchiae, da Brasilprev, será um dos professores do curso. Advogado, sua área de especialização foi direito societário. Ele ingressou na empresa em 2004 para atuar no departamento jurídico. "Mas eu era apaixonado pelo mercado de capitais", conta. Ao assumir o novo cargo de assessor de governança teve que ampliar seus conhecimentos sobre contabilidade e gestão. "Foi uma mudança de uma área de back office para outra de negócios", diz.

A principal função de Pecchiae é fazer circular a informação entre todos os acionistas da empresa: o Banco do Brasil, o Principal Financial Group e o Sebrae. "Defendo a transparência em todos os processos", explica. "Organizo a agenda de reuniões elegendo as prioridades, participo de todas elas, elaboro atas e quando necessário lembro no próximo encontro o que foi dito ou implementado".

Leonardo Viegas, do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBCG), diz que em outros países onde a questão da governança está mais evoluída, como na Inglaterra, é comum encontrar a figura do secretário de governança ("corporate secretary"). Segundo ele, esse é um cargo disputado nas companhias inglesas. "Eles são os encarregados de fazer o follow das decisões do conselho", explica.

Esse tipo de cargo também começa a crescer no Brasil. Sua função é um pouco mais restrita. O assessor de governança vai além. "Ele não participa só de reuniões do conselho, mas da diretoria e dos comitês. Ele precisa garantir que não está havendo sobreposição no fluxo de informações" , diz Alexandre de Miceli. Como todos os órgãos de governança tendem a ter documentos, regimentos internos, códigos de ética e suas próprias diretrizes, cabe ao assessor ser a interface entre eles.

A preocupação em ter profissionais "guardiões" das boas práticas ganhou força nos últimos três anos. "Antigamente, os conselhos de administração eram pró-forma. Eram mais simples de um lado e também mais pobres do outro. Agora a complexidade é muito maior", explica o professor. As empresas passaram a ter mais órgãos de governança. Além do conselho de administração e da diretoria executiva, segundo ele, existem os comitês de auditoria, de remuneração, de sucessão, de nomeação de novos conselheiros e diretores, fiscal e de auditorias internas. "Tudo isso criou uma outra demanda por um profissional que trabalhe dentro desse novo modelo", diz.

Para Carlos Faccina, assessor corporativo da Nestlé e também professor no novo curso da Fecap, acredita que quanto mais as empresas no Brasil descentralizam sua gestão, tendo assim mais stakeholders, maior é a necessidade delas terem organismos que centralizem e e normatizem conceitos.



          
 

 
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