A atividade sindical principal de 2015 foi sem dúvida a campanha salarial. Não por acaso seu andamento e desdobramentos ocupam as páginas centrais desta edição, que chega às suas mãos no início de um ano que traz uma única certeza: muita atenção e tenacidade serão exigidos de todos os brasileiros para percorrê-lo sem dele sair pior do que entrou.

 

O pedido de reajuste salarial, feito ao governo mesmo antes de se projetarem os dois dígitos de inflação anual corrente, obteve resposta que não deixou ninguém satisfeito, mas a categoria, em assembleia presencial como há tempos não se via, acabou por aceitar a imposição pública, ante o risco de se ver em situação ainda mais apertada.

 

Não foi por falta de esforço e de luta. Este foi apenas um dos direitos – a revisão anual dos salários, repondo-lhe no mínimo a inflação – que se viu sob ataque. Na véspera do início do atual governo, medidas provisórias foram editadas para dificultar a instituição de pensões, bem como o acesso aos seguros desemprego e defeso. Ao longo do ano não se viu direito ampliado, mas vetos a medidas como a extensão da regra de reajuste do salário mínimo às aposentadorias e ajustes fiscais que incidiram em cheio programas sociais que antes sobreviviam a pedaladas.

 

Já na virada do ano, a própria Presidente da República anunciou que vai propor nova reforma da previdência, não para suprimir o desconto previdenciário de quem a vida toda contribuiu, mas para aumentar a idade mínima média de aposentadoria e outros mecanismos de o Estado economizar nas suas obrigações sociais.

 

Longe de arrefecer as esperanças para 2016, a adversidade só nos anima na luta por dias melhores e mais justos para todos os brasileiros. Quem de inativo não tem nem um tantinho assim, tem muito por fazer daqui para a frente!

 

Em ano de Olimpíadas no Rio, o consultor previdenciário Luiz Roberto Pires Domingues Junior, que assina também a matéria sobre a reforma da previdência, sugere um belo passeio por Petrópolis, na região serrana, pertinho da sede da Asbac de Comary. A revista também anuncia, com prazer, a menos de sete anos do bicentenário da Independência, a perenização da casa de José Bonifácio, o Patriarca, na Ilha de Paquetá, que doravante abrigará um museu de comunicação e costumes.

 

Há quem opte por seguir trabalhando após sair do BCB. A MK Consultoria Organizacional é um exemplo de colegas que, aposentados, juntos prosseguem no labor de apoiar a organização de instituições financeiras, à luz das regras fixadas pela autoridade monetária. Outra atividade de cunho social retratada nesta edição é a participação nas eleições municipais, emprestando o saber e a correção do servidor à sociedade em que vivemos.

 

Na seção Prata da Casa, com o título “Joia Rara do Sinal”, homenageamos nossa assessora sindical Sandra Leal, dedicada desde os tempos em que trabalhava no banco à defesa e ampliação dos direitos de todos nós.

 

O leitor poderá conferir as ferramentas da economia colaborativa para superar a grave crise econômica que vivemos no Brasil e seus vizinhos e artigo de Luiz Carlos Prestes Filho sobre a economia do Carnaval, cujo enredo se estende muito além do reinado de Momo. Ainda, dicas de alimentos para manter o bom humor e a indicação de “O menino e o mundo”, uma animação do paulistano Alê Abreu ao Oscar.

 

A todos, boa leitura!

Daro Marcos Piffer

Presidente Nacional do Sinal

 

 

 

Expediente


Sinal Plural

Revista do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal)

Sede Nacional

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Diretoria Executiva Nacional - Biênio 2015/2017

Presidente
Daro Marcos Piffer (São Paulo)

Diretor Secretário
Epitácio da Silva Ribeiro (Salvador)

Diretora Financeira
Ivonil Guimarães Dias de Carvalho (Curitiba)

Diretor de Assuntos Jurídicos
Jordan Alisson Pereira (Curitiba)

Diretor de Comunicação
Iso Sendacz (São Paulo)

Diretor de Relações Externas
Luis Carlos Paes de Castro ( Fortaleza)

Diretor de Estudos Técnicos
Mauro Cattabriga de Barros (Belo Horizonte)

Diretor de Assuntos Previdenciários
José Vieira Leite (Rio de Janeiro)

Diretor de QVT
Márcio Silva de Araújo (Rio de Janeiro)

Diretora de Ações Estratégicas
Rita Girão (Brasília)
 


Presidentes Regionais

Belém - José Flávio Silva Corrêa
Belo Horizonte - Renato Fabiano Matheus
Brasília - Rita Girão
Curitiba - Enrikson Antonio Falabretti
Fortaleza - Francisco de Assis Tancredi Soares
Porto Alegre - Ricardo Luis Piccoli
Recife - José Milton Bezerra
Rio de Janeiro - Sergio da Luz Belsito
Salvador - Epitácio da Silva Ribeiro
São Paulo - Paulo Lino Gonçalves


Conselho Editorial

Daro Marcos Piffer
Iso Sendacz
José Vieira Leite
Myrian Luiz Alves (jornalista responsável)


Equipe da Sinal Plural

Editora
Myrian Luiz Alves (MTb 26891/95 - SP)

Designer Gráfico
Milena Florentino da Silva

Suporte
Edemilson Santos Tavares
Jorge Manoel Custódio Júnior


Ficha Técnica

Impressão - Gráfica e Editora Ideal Ltda
Tiragem - 4500 exemplares
Impresso em Papel Couchê - Capa 170g|Miolo 90g

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O ano de 2015 foi marcado por uma recessão que não se via desde a implantação do Real, o que tem levado as unidades federativas e os municípios a gastarem mais proporcionalmente com pessoal do que o recomendado pela Lei de Responsabilidade Fiscal (isso sem que houvesse recomposição da perda salarial destes trabalhadores nos últimos anos).

 

Na União, mesmo sem afrontar a Lei Complementar nº 101/2000, que estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fis

cal, não há recursos para garantir o poder de compra dos servidores, corroído pela inflação. E uma das grandes ideias de se reduzir a despesa, sem mexer na estrutura de poder estabelecida é atacando e destruindo a previdência dos servidores públicos, sempre com o discurso de redução de gastos correntes com pessoal e de melhoria da eficiência do próprio sistema.

 

Tais conjuntos de medidas têm transformado a previdência do servidor público civil federal em um espantalho, tornando-se cada vez mais difícil para um servidor, leigo na matéria, tentar administrar ou entender o que vai acontecer com o seu futuro no momento da aposentação.

 

No campo dos direitos previdenciários, o ano teve início com a publicação da Lei 13.135/2015, que altera a 8.112/1990, no que se refere à concessão do benefício de pensão por morte. Ajustes e atualizações eram necessários, no entanto, com a forma adotada para fazer e estabelecer as regras, gerou-se um sistema mais discricionário, que promoverá diversas injustiças sociais, de efeitos ainda não mensuráveis.

 

Aqui, altera-se, também – e novamente –, o conceito das palavras, dando nova conotação àquela com definição especifica. O servidor público já viveu situação semelhante quando a legislação manteve a INTEGRALIDADE, mas a sua definição previdenciária determinou que a integralidade é a média das remunerações de 1994 (ou de quando entrar no serviço) comparada com a última remuneração, levando-se a menor. INTEGRALIDADE, na previdência dos Regimes Próprios não tem nada a ver com a definida nos dicionários.

 

Esta legislação alterou a definição de VITALÍCIA, já que o dicionário explica como vitalícia uma situação que permanece até o falecimento do beneficiário. Agora, a Lei 13.135/2015 indica que pensão vitalícia somente será vitalícia se o segurado atender aos critérios de idade estabelecidos. Ou seja, a pensão VITALÍCIA, somente será vitalícia, “se e somente se”: o segurado tiver mais de 18 meses de contribuição; o cônjuge tiver mais de dois anos de casamento ou de união estável; e o cônjuge tiver mais de 44 anos, quando da morte do segurado. A pensão VITALÍCIA, apesar do nome, agora é, na pratica, temporária para a maioria dos casos!!!

 

O costume de se mudar os conceitos na esfera da construção legislativa é uma prática rasteira com o único objetivo de se extinguir benefícios, sem ter de encarar frente aos servidores a assunção e o ônus da ação. Assim, temos que se a pessoa for cônjuge e o servidor vier a falecer, a sua idade (cônjuge) é fundamental para saber por quanto tempo irá usufruir do benefício (quadro abaixo). 

 

                                     

 

A lei não mais permite recebimento da pensão por morte por dependentes temporários que estiverem ainda estudando até os 24 anos (acaba aos 21). Uma grande alteração diz respeito à vinculação do direito à pensão por morte aos cônjuges separados ou divorciados (de fato ou de direito) se tiver sido concedida anteriormente pensão alimentícia pelo Poder Judiciário a este cônjuge (art. 217, inciso II, da Lei 8.112/1990).

 

Sem isso, não se caracteriza dependência econômica e, por conseguinte, o direito à pensão. Assim, teremos vários pensionistas cujos proventos já sofreram a aplicação do redutor do valor nos proventos da pensão; para quem recebe o dobro do teto do Regime Geral de Previdência, e, agora, de uma transitoriedade temporal do benefício da pensão por morte. Outra inovação trata da implantação do período de carência de 18 meses para fazer jus ao benefício e da exigência de se ter, no mínimo, 24 anos de casamento ou união estável.

 

A Lei 13.135/2015 foi publicada sem um início temporal, atingindo a todos os servidores sem exceção, prejudicando famílias nas quais um dos cônjuges optou por ficar em casa cuidando dos filhos, pois, em caso de morte de, o risco real do outro responsável (cônjuge) buscar o mercado de trabalho em idade mais madura é real, com redução significativa de seu poder de compra no futuro.

 

Uma falha por mim observada é a de não haver distinção para as pensões por morte originárias de causa natural ou fortuitas daquelas de origem ocupacional (acidentes em serviço). A estas últimas, deveriam, no mínimo, resguardarem-se os direitos do arcabouço anterior aos seus dependentes, haja vista ter o servidor falecido em cumprimento de suas funções. Mas a lógica é financeira e não previdenciária − e muito menos de seguridade social.

 

Depois desta arrumação no benefício da pensão por morte, o governo editou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 139/2015, que propõe, simplesmente, a revogação do parágrafo 19 do artigo 40 da Constituição e o parágrafo 5º e o parágrafo 1º do artigo 3º da Emenda Constitucional nº 41/2003, que visa, pura e simplesmente, a extinção do ABONO DE PERMANÊNCIA!

 

 

Mais de 30% da força de trabalho de vários órgãos do governo são beneficiárias do abono de permanência. Na Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), por exemplo, são mais de 70%. A revogação do benefício empurrará para a aposentadoria milhares de servidores públicos, que, ao saírem da ativa, vão promover a piora na prestação dos serviços prestados – aumentando a crença de que servidor público não trabalha, já que a União não tem condições de repor os recursos humanos que estarão saindo. Com o atual déficit de servidores, a PEC agravará ainda mais a situação do quadro de pessoal.

 

Não obstante, estes servidores, além do impacto fiscal (o abono é idêntico ao valor de contribuição ao Regime Próprio), passarão a ter impacto previdenciário, pois o sistema terá de financiar e garantir os seus proventos. Que economia se está pensando com esta proposição? Só vejo aumento de despesa e piora na prestação dos serviços oferecidos à população! E o impacto financeiro a atingir esses mesmos servidores vai retroalimentar o discurso falso do rombo da previdência... dos servidores. É o calçamento da via do desmonte dos regimes próprios de previdência!

 

Novamente utilizam-se da previdência dos servidores públicos como instrumento de política fiscal e de contenção de gastos, “justificando” contas para a próxima geração de brasileiros. O passado se repete e nossos governantes não aprendem.

 

Por fim, devo salientar que todas estas mudanças e alterações, que mexem com a vida de milhares de servidores públicos, são feitas com desprezo à Constituição. Nossa Carta Magma determina – e explicita – que a participação dos trabalhadores e aposentados é obrigatória nas questões de seguridade social, in verbis:

 

Art. 194. A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social.

Parágrafo único. Compete ao Poder Público, nos termos da lei, organizar a seguridade social, com base nos seguintes objetivos:

...

VII - caráter democrático e descentralizado da administração, mediante gestão quadripartite, com participação dos trabalhadores, dos empregadores, dos aposentados e do Governo nos órgãos colegiados.

 

A gestão do regime próprio de previdência social, nunca ouviu de forma efetiva e servidores e aposentados!

 

Precisamos tratar as questões de previdência de forma racional e não passional. As alterações devem atingir os que estão entrando no sistema, e não alcançar a todos, de forma geral e irrestrita, colocando em risco o próprio sistema, com a perda, dentre outros agravantes, de sua credibilidade. Estão reformando a previdência do serviço público trocando pedra por barro. A qualquer hora o edifício pode vir abaixo, fragilizado por tantos remendos.

 

Já passou da hora de nós, servidores, interessarmo-nos pelo que se passa no sistema de previdência. E a ação em sua defesa não pode ser delegada. Ele é a garantia de nossa sobrevivência no futuro. Sem um arcabouço forte, sadio e transparente, corremos o risco de termos em nosso sistema previdenciário somente um espantalho num campo sem sementes.


 

 

 

 

 

O ano de 2016 será dedicado a intensificarmos os trabalhos juntos aos advogados e ao Poder Judiciário, para que tenhamos mais decisões favoráveis aos servidores nas ações judiciais do Sinal.

 

Já iniciamos o ano com uma boa notícia para os participantes de um dos grupos de ações do Sinal que discutem a forma de cálculo da fração patrimonial da Centrus. Em cumprimento à decisão da Justiça do DF proferida em dezembro de 2015, a Centrus depositou os valores devidos aos participantes.

 

Em agosto o Tribunal Regional Federal da 1ª Região – TRF1 proferiu acordão favorável ao Sinal, declarando o direito dos servidores do Banco Central ao reajuste de 13,23%, a partir de maio de 2003, em razão proibição de distinção de índices de reajuste e de ter sido este o maior reajuste concedido aos servidores públicos naquele período.

 

No final de novembro o STJ determinou que o Banco Central se manifestasse sobre o cumprimento da decisão que determinou a incorporação de quintos e décimos e o pagamento dos valores atrasados aos servidores representados pelo Sinal.

 

E em dezembro o Superior Tribunal de Justiça - STJ proferiu decisão desfavorável aos servidores no processo que trata do Imposto de Renda retido nos resgates de fração patrimonial da Centrus. Apesar dos esforços do Sinal e dos três escritórios de advocacia envolvidos na ação, no momento a situação da ação é desfavorável aos servidores. Os advogados avaliam a melhor forma para reverter a decisão.

 

O ano de 2015 foi marcado ainda pelos trabalhos nas ações do reajuste de 28,86%. Dos cinco grupos em andamento, a ação que possui decisão mais favorável aos servidores está na fase de execução, em tramitação no STJ. Para reforçar o grupo de advogados que atuam na causa o Sinal contratou o escritório Ayres Brito Consultoria Jurídica e Advocacia, que se junta à Advocacia Riedel Resende e ao escritório Morais, Castilho e Brindeiro na defesa dos nossos interesses.

 

As ações judiciais conduzidas pelo Sinal propiciaram o pagamento de cerca de R$ 40 milhões aos filiados nos últimos meses. Valores muito baixo perto de todo o passivo a que os servidores têm direito. Esperamos que a vigência do novo Código de Processo Civil, que traz a promessa de agilizar o trâmite dos processos judiciais, e com o trabalho dos escritórios de advocacia contratados pelo Sinal tenhamos celeridade e êxito nas ações judiciais durante o ano de 2016.
 


 

 

 

 

Eleições 2016

 

Em outubro próximo, os eleitores de todo o país voltam às urnas, desta vez para escolher os prefeitos e vereadores de todos os 5.570 municípios do país. Será o primeiro pleito sob as novas regras fixadas pela Lei 13.165 que, no ano passado, modificou o processo eleitoral.

 

As principais novidades da minirreforma são a proibição de as pessoas jurídicas contribuírem aos candidatos, limitando suas verbas àquelas recebidas, em espécie ou serviços, de partidos políticos e de pessoas físicas, e a redução do período de campanha, para 45 dias.

 

O novo calendário permite a filiação partidária ocorrer até 6 meses antes do primeiro turno, mantendo-se a exigência de domicílio eleitoral por um ano. Ou seja, quem quiser ainda pode participar do processo de escolha dos representantes, filiando-se a um dos 35 partidos registrados no Brasil e submetendo-se às convenções municipais que escolherão seus candidatos.

José Manoel Rocha Bernardo, servidor aposentado do Banco Central do Brasil, é um dos que estão envolvidos nesse processo. Residente em Palmital, SP, está organizando uma representação do partido Novo, para disputar a Câmara Municipal do município. Por telefone, informou à Sinal Plural que os dirigentes partidários não poderão ser candidatos pela legenda, reservando-se a função a munícipes dispostos a, sem deixar seu trabalho habitual de lado, representar os setores da sociedade onde atuam.

 

Já Maurício Furtado, que após aposentar-se retornou ao banco há já onze anos, foi candidato a prefeito de Curitiba, onde mora e trabalha, no pleito de 2008. Recebeu quase 9 mil votos, representando a legenda do Partido Verde. Da sua experiência, recomenda agir com a responsabilidade de propor soluções globais para a cidade e muita atenção nos debates, especialmente naqueles transmitidos pelos meios de comunicação. Por um lado, é ótima oportunidade de apresentar os planos do candidato. Por outro, debatedores experientes costumam pressionar bastante.

 

Uma recomendação é importante a todos os que desejam participar: muita atenção nas regras de propaganda e na prestação de contas, que, se não observadas corretamente, podem deixar pendências para o futuro.

 

É um antigo desejo dos servidores públicos formarem uma bancada parlamentar e um Poder executivo sensíveis às questões ligadas ao seu mister. Se formada por servidores que dedicaram e dedicam sua vida a bem servir o país, melhor. E o pleito municipal é ótima oportunidade para se investir nessa direção.

 

Mas o valor da participação não se resume a um projeto nacional. O saber e a experiência daqueles que trabalham e trabalharam em uma instituição como o Banco Central do Brasil só poderá qualificar o debate eleitoral e a condução dos assuntos municipais, tornando a atividade política uma oportunidade de dedicação ao próximo e à sociedade.

 

Os servidores da ativa encontram hoje um obstáculo à sua plena participação na atividade política: precisam licenciar-se antes do prazo fixado para as convenções partidárias, mas só o podem fazer depois. Uma lacuna que haverá de ser tratada pelo Estado, para assegurar os direitos de quem é servidor público.

 

Aos aposentados, no entanto, o campo da boa política é livre para a atuação, apresentando-se assim mais uma frente de dedicação à quem já deixou concluiu sua jornada laboral regular, mas de inativo não tem nem um tantinho assim.

 

Saiba mais sobre os partidos políticos e as eleições 2016 em www.tse.jus.br.

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um por cento versus 99% do restante da humanidade. Esse será o registro da concentração de renda no planeta, em 2015, apontam estatísticas do Credit Suisse divulgadas em outubro. Em valores, 1% da humanidade possui patrimônio (líquido ou investido) de R$2,96 milhões (US$ 760 mil), provando que, desde a crise de 2008, quando teve início o levantamento, os ricos estão bem mais ricos e os pobres, um tanto mais pobres.

 

No continente, a porção latino-americana lamenta a diminuição do crescimento econômico pelo quinto ano consecutivo. Entre 2010 e 2015, as economias nacionais tiveram expansão 40% menor que entre 2003 e 2010, registra o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A novidade, porém, traduz-se na redução significativa da desigualdade, resultado do gasto social ter saltado de 5% para 19% entre 2005 e 2012.

 

Em seis anos, portanto, a população em situação de pobreza caiu de 34% para 21%, formando a mais numerosa classe média – um terço dos latino-americanos ante 17% em 1990, aponta o Latinobarômetro, estudo que envolve a opinião pública de 18 países. Atualmente, 45% se dizem de classe média, o dobro em relação a 2000. Reportagem “América Latina: do prodígio ao perigo”, publicada pelo El País no início de outubro, alerta para a situação política “tão inédita quanto explosiva” em relação à reação dessa camada social “mais numerosa, empoderada, ativada, conectada e com maior capacidade de organização”.

 

Economia colaborativa com boas ideias é saída para a crise

 

“Há uma maneira de consumir sem possuir”, diz Park Won-soon, prefeito da capital sul-coreana, responsável pelo projeto Seul, a Cidade que Compartilha, adotado em 2012, para “promulgar políticas que incentivem o surgimento de empresas de economia colaborativa e, desta forma, fazer melhor uso dos recursos existentes através do compartilhamento”. Nestes três anos, criou-se 50 empresas para atuar nos mais diversos setores, do habitacional ao transporte e reciclagem, a maioria oferecendo serviços por meio de aplicativos para smartphones, intensamente utilizados no país, que abriga também um dos mais rápidos acessos à Internet.

 

“O objetivo é resolver alguns dos problemas que surgem em uma sociedade capitalista guiada por um consumismo exacerbado: desde os crescentes engarrafamentos ao aumento do número de suicídios, além da poluição ambiental e do elevado custo de moradia. Todos eles podem ser mitigados pelo compartilhamento”, explica a diretora da Creative Commons Coreia (CCKorea), Kwon Nanshil, que conseguiu a concessão da prefeitura para implantar a proposta.

 

Um dos empreendimentos transforma móveis que seriam descartados; outra faz um levantamento de igrejas com pouca atividade e as oferta para cerimônias a preço acessível. Entre outras ideias, uma se destaca, já utilizada nos amplos apartamentos da zona sul carioca: estudantes alugam quartos em residências de pessoas mais velhas, geralmente sozinhas e que curtem as novas companhias. A diferença é a iniciativa.

 

Há, ainda, 500 carros elétricos à disposição da população em 292 pontos da cidade, de 20 milhões de habitantes. Uma hora de aluguel dos veículos custa menos de R$ 20. Pelo dia todo, R$ 110.  Em pelo menos 27 países, estima-se que 1,7 milhão de pessoas compartilham serviços de automóveis.

 

Nesse caminho, surgiu a Biblioteca Viva. Pessoas com mais de 65 anos, “que são como livros”, compartilham suas experiências em lugares públicos. Mais de 2,5 mil eventos, com a participação de 24 mil pessoas, já foram realizadas. Histórias antes contadas para os netos são divididas com o todo, contribuindo para a memória coletiva.

 

São Francisco é a cidade pioneira em collaborative economy ou sharing economy. Muitos, hoje, preferem o acesso aos “bens” e não ser seus donos. Programas públicos e privados desse tipo de economia surgiram a partir da crise global de 2008, transformando consumidores em vendedores ou provedores de serviço.

 

Em Barcelona, o Banco de Tempo, fundado pela prefeitura, não envolve pagamentos. O que sabe outro idioma, ou entende de software, dá aulas, acumula horas para utilizá-las posteriormente para acompanhar outra modalidade de curso. Com alta taxa de desemprego, a Espanha já conta mais de 300 bancos de tempo.

 

Na França, o sistema chama-se Autolib’, lançado em 2011. Também elétricos e semelhantes ao modelo Uno, da Fiat, os carrinhos cobrem mais de 5 milhões de quilômetros e são utilizados de três a quatro vezes por semana por 1,2 mil usuários. O número aumenta nos finais de semana. Divididos entre homens e mulheres, os usuários do país têm entre 25 a 39 anos – e 70% deles não possuem automóvel. No segmento de compartilhamento de carros, estima-se que 1,7 milhão de pessoas já usam se utilizam do serviço em 27 países. Até o momento não existe um número confiável sobre o tamanho da economia colaborativa em escala global.

 

 

 

Pernambuco lança sistema de compartilhamento de carro elétrico

 


 

 

 


Alimentos para o bom humor

 

O portal da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein oferece dicas importantes para os cuidados com a saúde. Nela, encontra-se informações sobre os benefícios dos chás, do azeite, das frutas e verduras. Para esta edição, escolhemos sugestões adequadas ao clima de 2016. Se precisamos manter o astral, melhor é comer - e beber - com moderação!

 

Alimentos e sensações caminham juntos para os seres humanos. Essa ligação começa quando o bebê nasce: ao ser amamentado, ele não apenas é nutrido, mas sente prazer. A explicação para esse envolvimento de nossas emoções é científica: a química dos alimentos é capaz de alterar a produção de neurotransmissores – substâncias que transmitem impulsos nervosos no cérebro e são responsáveis pelas sensações.

 

Por isso, a máxima de que você é o que come se aplica também ao bom humor. Há uma série de alimentos que podem contribuir para melhorar o ânimo porque estimulam a produção dos neurotransmissores responsáveis pelo prazer, bem-estar e euforia – entre os quais serotonina, dopamina, noradrenalina e acetilcolina.

 

O mais estudado neurotransmissor é a serotonina. “Sua produção pode ser aumentada com o consumo de alimentos ricos em triptofano, um aminoácido, e carboidratos”, explica Rosana Raele, nutricionista do Centro de Medicina Preventiva Einstein. É por isso que quando alguém está chateado e come um doce tem a sensação de que melhorou.

 

Na Inglaterra, o estudo Food and Mood Project (Projeto Comida e Humor) revelou que mudanças no que comemos podem ser positivas para a saúde mental. Cerca de 200 pessoas fizeram uma dieta recomendada e avaliaram o impacto da mudança nutricional no seu humor.

 

A experiência mostrou que 26% tiveram uma melhora na instabilidade emocional, 24% na depressão e 26% em ataques de pânico e ansiedade. Os indivíduos estudados diminuíram o consumo de açúcar, cafeína, álcool e chocolate e aumentaram o de frutas, peixes e líquidos.

 


Uma observação importante: ficar muito tempo sem comer reduz os níveis de glicose, o que pode afetar negativamente o humor.

Assim, o ideal é alimentar-se seis vezes ao dia: café-da-manhã, lanche, almoço, lanche, jantar e ceia. A seguir, um exemplo de cardápio saudável e ótimo para o astral.
 

 

 

 

Fontes de bom humor

Chocolate

Além do açúcar, contém tirosina – substância que estimula a produção de serotonina – e minerais importantes como cobre, manganês e magnésio (nutriente que fica em falta no período pré-menstrual). Dispara a produção de endorfina e dopamina, neurotransmissores responsáveis pelo relaxamento. Os mais recomendados são os com 70% de teor de cacau pelo alto poder antioxidante.

 

Aveia

Cereal que contém altas doses de triptofano. Além do aminoácido que auxilia o organismo a liberar a serotonina, também tem bons níveis de selênio, que colabora para a produção de energia.

 

Banana madura

Contém duas substâncias que auxiliam o humor: os carboidratos, que estimulam a produção de serotonina e a vitamina B6, que garante mais energia. É ótima como opção de lanche rápido.

 

Brócolis

Rico em ácido fólico, que é importante para a liberação da serotonina. Além de garantir o bom humor, renova as células e previne defeitos no sistema nervoso dos fetos, portanto é essencial para as gestantes.

 

Espinafre e folhas verde-escuras

Têm efeito antidepressivo por serem ricos em magnésio – que atua na produção de energia, potássio e vitaminas A, C e do complexo B, que ajuda a manter o sistema nervoso tranquilo.

 

Frutas oleaginosas

São as nozes, castanhas, amêndoas e a mais poderosa de todas, a castanha-do-brasil. Auxiliam na diminuição do estresse por conterem um importante antioxidante, o selênio.

 

Laranja, maracujá e jabuticaba

Por terem altas doses de vitamina C, previnem o cansaço e combatem o estresse. Também colaboraram com as defesas do organismo. A jabuticaba ainda tem a vantagem de conter vitaminas do complexo B.

 

Leite

Produz um efeito relaxante em toda a musculatura graças ao triptofano, que é precursor da serotonina.

 

Ovos

Contêm substâncias que garantem o bom humor, como a tiamina e niacina (vitaminas do complexo B), além de fazerem bem para a memória.

 

Peixes e frutos do mar

Grandes fontes de minerais importantes para a atividade cerebral, como o selênio. Também ajudam a combater o cansaço e a ansiedade. Os frutos do mar são ricos em zinco, mineral essencial para o bom humor.

 

Pimenta

A sensação de ardência é provocada pela capsaicina – substância presente na pimenta – e faz com que o cérebro produza mais endorfina, neurotransmissor responsável pela sensação de euforia. A pimenta-de-cheiro, a vermelha e a malagueta são as melhores para o humor.

 

Sementes de abóbora e girassol

Ricas em triptofano, além auxiliarem na manutenção do bom humor, também ajudam a melhorar a qualidade do sono. Podem ser consumidas entre as refeições, como lanche.

 

Alface

Tem poderoso efeito calmante em razão da lactucina, substância presente em maior quantidade nos talos e coração, que devem fazer parte das saladas, juntamente com as folhas.

 

Cardápio animado

Uma alimentação balanceada, sem radicalismo e perseguição de determinados itens, é sempre a mais recomendada. "É importante manter o equilíbrio no fornecimento de nutrientes, principalmente os envolvidos em uma estrutura bioquímica essencial como o nosso cérebro", diz a nutricionista Rosana.

Ela elaborou este exemplo de cardápio com 2000 calorias para um dia com bastante bom humor e energia.

 


 

 

 

 

 

Fonacate elege nova diretoria

Daro Piffer assume a Secretaria-Geral do Fórum

Samuel Oliveira | Jornalista

 

 

Entidades que compõem o Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate) elegeram no último dia 17 de novembro os Conselhos Executivo e Fiscal, responsáveis pela gestão 2016-2018. O presidente nacional do Sinal, Daro Piffer, foi nomeado pela Assembleia o novo secretário-geral do Fórum. Rudinei Marques, do Unacon Sindical, assumiu a presidência.

 

Antes de dar início ao processo eleitoral, o presidente do Fórum, Roberto Kupski, agradeceu o apoio e cooperação de todas as carreiras representadas e manifestou confiança nos sucessores. “Não tenho dúvidas do bom trabalho que os novos gestores irão desempenhar”, afirmou.

 

Conselho Executivo 
Presidente: Rudinei Marques (Unacon Sindical)
Secretário-Geral: Daro Piffer (Sinal)
1º vice-presidente (Financeiro): Fábio Schiavinatto (Afipea)
2º vice-presidente (Administração e Patrimônio): Paulo Martins (Auditar)
3º vice-presidente (Comunicação): Carlos Silva (Sinait)
4º vice-presidente (Relações Institucionais): Thiago Botelho (Aner)
 
 
Conselho Fiscal 
Vilson Romero (Anfip)
Manoel Isidro (Fenafisco)
João Aurélio de Sousa (Anesp)
Nilton Paixão (Sindilegis)
Carlos Eduardo Benito (Adepol)

 

 


 

 

 

 

 O que fizemos em 2015 e o que vamos fazer em 2016

Samuel Oliveira – Jornalista

 

No último dia 29 de dezembro, o Sinal firmou acordo com o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), resultante das negociações pela Campanha Salarial 2015. No documento assinado, o governo garante aos Especialistas do BC, entre outras coisas, um reajuste de 27,9% nos subsídios, dividido em quatro parcelas, sendo 5,5% em agosto de 2016; 6,99% em janeiro de 2017; 6,65% em janeiro de 2018 e 6,31% em janeiro de 2019.

 

Já as carreiras jurídicas, entre elas a de Procurador do Banco Central, firmaram acordo, ainda em novembro, com reajuste de 21,3% também parcelado em quatro anos. A partir de janeiro de 2019, as classes e padrões mais altos de cada carreira receberão subsídios semelhantes.

 

Se por um lado os valores oferecidos não suprem a defasagem salarial sofrida nos últimos anos, por outro a mobilização do Sinal, juntamente com diversas entidades, em favor da paridade, não permitiu que a situação produzisse efeitos ainda mais nocivos aos servidores aposentados e aos pensionistas.

 

Desde os primeiros passos da Campanha Salarial 2015, o zelo pela manutenção do equilíbrio entre as remunerações esteve em evidência. Já na elaboração da pauta unificada, que contou com a colaboração do Sinal, em fevereiro, o Fórum dos SPF elegeu a busca por “paridade salarial entre ativos e aposentados” como um dos oito principais eixos de luta.

 

No segundo semestre, diante da oferta de honorários de sucumbência para os advogados da ativa, o Sinal mais uma vez reforçou sua posição em defesa dos interesses do aposentado junto ao MPOG e em reunião com representantes da Associação Brasilense de Aposentados do Banco Central (ABACE).

 

O acordo com o Executivo prevê, também, mudanças na estrutura da carreira de Especialista do BC. O cargo de Técnico passará a ser classificado como de nível superior, alterando a Lei 9650/98 e beneficiando toda a carreira. Será criado um grupo de trabalho (GT), com o objetivo de tratar da continuidade do processo de modernização dos Especialistas e o realinhamento entre carreiras que compõem a Autarquia.

 

A Campanha Salarial 2015 só não teve, ainda, números finais, devido à formalização do reajuste aos celetistas ativos, ainda pendente, mas que deve ocorrer em breve. De acordo com a Secretaria de Relações de Trabalho (SRT) do MPOG, apenas algumas questões jurídicas precisam ser elucidadas, para posterior encaminhamento da demanda em projeto de lei (PL). O Sinal acompanha a situação de perto e reivindica celeridade dos gestores responsáveis.

 

Em 2015, o Sinal atuou intensamente em favor das demandas internas do BC, bem como da pauta unificada dos servidores públicos federais. A seguir, você acompanha um resumo com as principais atividades do Sindicato no último ano:

 

 


 

 


 

 

 

 

 

 

 


Servidores públicos federais iniciam

debate sobre pauta unificada para 2016

 

A luta é por direitos. A manutenção, bem como a ampliação das garantias já adquiridas pelos servidores públicos foi a tônica da primeira Reunião Ampliada de 2016, organizada pelo Fórum dos SPF nos dias 16 e 17 de janeiro. Com o objetivo de iniciar o debate acerca da pauta unificada deste ano, 15 entidades nacionais compareceram ao evento, em Brasília. A delegação do Sinal contou com 15 diretores e conselheiros de diversas regionais.

 

 

Os discursos das representações sindicais mostraram a clara preocupação com medidas que colocam em risco os direitos dos servidores e precarizam as relações de trabalho. O presidente da regional Rio de Janeiro do Sinal, Sérgio Belsito, enfatizou a importância da articulação junto ao Legislativo. “Creio que 2016 é ano de intensificar as ações em contato com deputados e senadores. Há a ameaça real e significativa, por exemplo, de uma reforma previdenciária. Devemos focar esforços em construir alternativas de combate a isso no Congresso”, argumentou.

 

No encontro foram apresentadas diversas demandas e propostas de atuação a serem discutidas entre as carreiras do serviço público federal. Destaque para assuntos vinculados à negociação coletiva e ao direito de greve, previstos na Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) já “recepcionada” no Brasil, mas ainda com regulamentação pendente.

 

O objetivo agora é que cada entidade encaminhe os pontos levantados à sua base, para debate, e que a partir do consenso entre as representações possa ser definida a pauta. Os servidores do BCB serão convocados, em tempo oportuno, a se manifestarem sobre novos os itens sugeridos.

 


 

 

 

 

 

 

 

Devemos exigir AUDITORIA DA DÍVIDA

com participação CIDADÃ

 

A dívida brasileira atinge patamares elevados e tem o custo mais oneroso do mundo devido aos juros abusivos. A dívida chamada interna alcança R$ 3,8 trilhões e a externa bruta US$ 556 bilhões.

 

Investigações da Auditoria Cidadã da Dívida e da CPI da Dívida Pública realizada na Câmara dos Deputados em 2009/2010 demonstram que contrapartidas muitas vezes não existe. Dívidas têm sido geradas por diversos mecanismos meramente financeiros.

 

O instrumento do endividamento, que deveria significar o aporte de recursos complementares aos orçamentos públicos, tem historicamente funcionado às avessas: em vez de trazer recursos, representa contínua sangria de recursos públicos, que são drenados principalmente aos bancos nacionais e estrangeiros. A isso denominamos SISTEMA DA DÍVIDA.

 

Todo ano a dívida consome quase a metade do orçamento federal, como demonstra o gráfico de 20141:

 

 

Em 2015 a situação agravou-se ainda mais e os gastos com a dívida devem atingir 50% do orçamento federal, devido ao aumento abusivo das taxas de juros e das operações de swap cambial e “compromissadas”, decorrentes de política monetária que tem sido fortemente criticada por famosos economistas como Joseph Stiglitz2, prêmio Nobel de economia, e Thomas Piketty3.

 

A sociedade, que paga a conta, tem sofrido a subtração de direitos essenciais, enfrenta desemprego, queda salarial e aumento de tributos, enquanto assiste o crescimento dos bilionários lucros dos bancos bater novos recordes a cada trimestre. É evidente a transferência de recursos públicos de todas as esferas – federal, estaduais e municipais – para o setor financeiro privado nacional e internacional, por meio de mecanismos financeiros e arranjos espúrios que geram “dívida pública” e impedem que as imensas riquezas de nosso País, marcado pela abundância em todos os aspectos, possa garantir vida digna à população. Não há saída sem o enfrentamento do Sistema da Dívida.

 

A Auditoria Cidadã da Dívida é uma associação sem fins lucrativos, que conta com o apoio e colaboração de importantes entidades da sociedade civil e cidadãos voluntários que lutam pelo cumprimento da Constituição Federal, no que diz respeito à realização da auditoria da dívida (art. 26 do ADCT da CF de 1988), tendo em vista que a dívida pública tem sido um dos principais empecilhos ao desenvolvimento socioeconômico do Brasil.

 

 

Coordenação Nacional da Auditoria Cidadã da Dívida

SAS, Quadra 5, Bloco N, 1º andar – Brasília – DF – Cep – 70070-939 - Edifício OAB

www.auditoriacidada.org.br

 

1Até o momento o governo federal não compilou os dados do orçamento executado de 2015.

2Entrevista de Joseph Stiglitz concedida ao programa Milênio, disponível em http://goo.gl/ApHoKs Acesso em 17/01/2016.

3O Banco Central está suicidando o Brasil, disponível em http://goo.gl/1VtO9r Acesso em 17/01/2016.

 


 

 

 

 

 

 

No País da Festa, destaque

para a Economia do Carnaval


Luiz Carlos Prestes Filho I Especialista em Economia da Cultura*

 


Nas semanas próximas ao Carnaval, em 2015, o porto do Rio de Janeiro registrou o movimento de 70 mil passageiros, que desembarcaram de 14 transatlânticos. Por incrível que pareça em 2016, serão 130 mil turistas em 30 atracações na mesma época. Estes números, disponibilizados oficialmente pela Gerência de Operações do Píer Mauá, demonstram que a Economia do Carnaval no meio de toda a crise econômica que o país atravessa, continua contribuindo para o desenvolvimento da cidade.

 

O número total de turistas que entrará na Cidade Maravilhosa via marítima, entre 15 de novembro de 2015 e 29 de abril de 2016, será de 565 mil. Ao todo passarão pelo porto 109 embarcações. Isso significa que o Carnaval tem uma fatia de 30% neste mercado que cresceu 15% em comparação com a última temporada de transatlânticos.

 

Importante registrar que de acordo com a Associação Brasileira dos Operadores de Turismo Receptivo Internacional (BITO), os visitantes deixarão um rastro positivo de US$169 milhões em compras de produtos e serviços locais.

 

Infelizmente, não existe um observatório permanente sobre o comportamento dos macros elos da Cadeia Produtiva da Economia do Carnaval do Brasil. Os números existentes são de pesquisas relevantes, porém pontuais. Fato que impede estruturar um planejamento setorial - empresarial e institucional - como aqueles que o Brasil aprendeu a realizar na década de 1990, para a indústria da soja, do café, da carne, do açúcar ou da mineração.

 

O economista Carlos Lessa, que foi presidente do BNDES e Reitor da UFRJ, define o Brasil como o País da Festa, onde o Carnaval tem grande centralidade.

 

Pois a festa do Momo, nos últimos cinco anos, resultou no movimento financeiro expressivo nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Porto Alegre, Salvador, Fortaleza, Manaus, Macapá e em Florianópolis. Diretamente, são milhares de marceneiros, serralheiros, bordadeiras, costureiras, aderecistas, cenógrafos, coreógrafos, bailarinos, compositores, intérpretes e tantos outros profissionais que formam uma grande rede de prestadores de serviços do Carnaval. Profissionais que trabalham nos barracões das escolas de samba, nas quadras e nos sambódromos. O evento também é estruturante para a Economia Indireta: transporte aéreo e terrestre; alimentação e indústria de bebidas; de hotéis e de fabricação de instrumentos musicais; audiovisual, e entretenimento.

 

Embora seja difícil obter exatas aproximações sobre o volume de recursos movimentados em função da economia do carnaval, as estimativas existentes sublinham as grandes dimensões desta indústria.

 

De acordo com a pesquisa do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 2013, o Rio de Janeiro atraiu 1,2 milhão de turistas e o carnaval gerou receitas de aproximadamente R$ 1,1 bilhão, enquanto São Paulo (cujo Carnaval vem crescendo ano a ano) atraiu 900 mil turistas e gerou uma movimentação financeira de mais de R$ 828 milhões, como levantado pelo Ministério do Turismo. Os dados correspondentes às movimentações financeiras mais significativas para o ano de 2013 encontram-se na tabela 1 abaixo. A Secretaria de Turismo da Cidade do Rio de Janeiro estima que o Carnaval de 2014 gerou uma receita de aproximadamente US$ 734 milhões (ao câmbio de fevereiro de 2014, isto representaria R$ 1.762 milhões)¹ e um total de R$ 6,4 bilhões para o país, impulsionado principalmente pela visibilidade originada pela realização da Copa do Mundo FIFA 2014 no país.

 

 

Grande parte desta movimentação de recursos se deve a despesas realizadas por turistas. O perfil dos gastos turísticos², conforme demonstrado na tabela 2. O gasto majoritário foi com transporte (36%), alimentação e bebidas (33%), compra de fantasias (20%) e hotelaria (11%), tendo a rede hoteleira uma taxa de ocupação perto da capacidade máxima, com os turistas tendo preferência por bairros da Zona Sul e Centro da cidade, tais como Copacabana, Ipanema, Leblon, Flamengo e Glória, como aponta levantamento da ABIH-RJ (Associação Brasileira de Indústria Hoteleira)³.

 

 

O impacto da economia do carnaval sobre o emprego também se revela expressivo. Considerando o impacto da economia do carnaval sobre o emprego ao longo de todo um ano, o levantamento feito pela Assertem/Sindeprestem4 aponta para a geração de cerca de 250 mil empregos temporários em todo país em 20135. São vagas para os mais diversos tipos de atividades, sendo algumas delas como vendedores, garçons, costureiras, aderecistas, marceneiros, motoristas, auxiliares de serviços gerais, entre outros. Especificamente no período do carnaval, o impacto sobre o emprego também é significativo. Estudo feito pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo)6 estima que, no período do Carnaval de 2014, foram gerados 10,1 mil empregos temporários. O salário médio estimado para as vagas em serviços culturais e recreativos (que englobam espetáculos carnavalescos, blocos e atividades gerais de turismo) foi de R$ 1.498, enquanto para as vagas do ramo de hospedagem foi de R$ 1.008 e alimentação, R$ 929.

 

O estudo pela CNC também levou em consideração critérios como a faixa etária, a região e o grau de instrução de modo a se obter um perfil salarial dos trabalhadores temporários contratados, chegando-se à conclusão de que 60% dos temporários contratados no ano de 2013 tinham Ensino Médio completo ou o estavam cursando. Os que possuíam apenas ensino médio completo chegavam a receber metade do salário recebido por um indivíduo com ensino superior completo. A faixa salarial mais bem remunerada correspondia aos que tinham entre 54 e 60 anos, os quais recebiam até 121% a mais do que a faixa menos remunerada, correspondente aos que tinham até 17 anos. Desse estudo, observam-se as maiores médias salariais na área de serviços culturais e recreativos na região Nordeste (R$1.448,33), contra R$1.380,94 na região Sudeste.

 

 

Pela observação dos dados, observa-se que o Carnaval e sua cadeia produtiva estão em constante ascensão: atraem cada vez mais turistas, dão origem a uma movimentação financeira bilionária, geram crescentes vagas de trabalho, sejam elas temporárias ou não e o gasto público para a produção do mesmo gera progressivos benefícios, tornando-se indispensável para a realização da festa.

 

Estes dados organizados na pesquisa da UFRJ nos oferecem um panorama extremamente positivo. Para um país que atravessa um período de pessimismo, quem sabe, os mesmos podem apontar para um potencial que merece ser urgentemente explorado por políticas públicas e empresariais?

 

Realizamos bilionários investimentos para atender as exigências da Federação Internacional de Futebol (FIFA) e do Comitê Olímpico Internacional (COI), para realização da Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016, mas ainda pouco trabalhamos para atender as demandas da Economia do Carnaval do Brasil. Estrutura gigantesca que no Rio de Janeiro reúne 94 escolas de samba; em São Paulo, 69 agremiações; em Porto Alegre, 24 escolas de samba; em Vitória, 14 escolas de samba; em Florianópolis, 11 escolas de samba; em Manaus, 15 escolas de samba; em Macapá, 9 escolas. Destacamos aqui somente as cidades que tem sambódromos e não mencionamos a rede de negócios existente nos carnavais de trios elétricos, blocos e bandas.

 

O projeto Porto Maravilha, realizado para recuperação de uma área de cinco milhões de metros quadrados abandonada pelos poderes públicos federal, estadual e municipal, desde o início do século XX, desconsiderou a presença, nos armazéns do Porto do Rio de Janeiro, de 52 barracões de escolas de samba dos grupos “A”, “B”, “C”, “D” e “E” (82 escolas de samba). Somente as escolas do Grupo Especial têm a sua Cidade do Samba, onde está a Fábrica do Carnaval com 14 barracões.

No lugar de valorizar o que era um centro de criatividade, despejou dezenas de agremiações para ceder espações a projetos como o Museu de Arte Rio (MAR) e o Museu do Amanhã; Central de Reserva Técnica do Theatro Municipal e Nova Sede da Biblioteca Nacional. Isso para citar algumas instituições, que merecem todo o respeito e apoio, mas que nunca tiveram raízes na região conhecida na História como “Pequena África”.

 

 

Mesmo assim, é o carnaval, que não é valorizado que assume grande centralidade, que no meio de uma crise econômica que nos remete aos anos de 1996, que cumpre seu papel, faz a economia da cidade do Rio de Janeiro girar e girar tanto e quanto a saia de uma baiana.

 

* Diretor e Roteirista de Filmes Documentários para televisão e cinema, é mestre em Arte Cinematográfica pelo Instituto de Cinema de Moscou (1978-1983). Durante um ano percorreu os 25 mil km da trilha da Coluna Prestes nos estados do RS, PR, SC, MS, MT, GO, DF, TO, MA, PI, CE, RN, PB, PE, BA e MG (1995). Entrevistou 450 testemunhas que assistiram a passagem dos líderes revolucionários entre os anos de 1924-1927. Como resultado, construiu no Rio Grande do Sul, Paraná e Tocantins, monumentos à Coluna Prestes, com projetos do arquiteto Oscar Niemeyer (1996/2001). Coordenador e professor do MBA de Gestão Cultural da Universidade Cândido Mendes e Vice-Presidente da Associação Brasileira de Gestão Cultural (ABGC), lançou em 2005 o livro Cadeia produtiva da Economia da Música. (2005). Entre 2003 e 2006 ocupou o cargo de Superintendente da Economia da Cultura da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico do Rio de Janeiro (Sede). Desde 2007, é assessor para o Desenvolvimento da Indústria Cultural da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços do Rio de Janeiro (Sedeis).

 

 

1Link: http://www.dci.com.br/servicos/ministerio-do-turismo-estima-movimento-de-r$-6,1-bilhoes-durante-o-carnaval-id379845.html

2Link: http://www.rj.gov.br/web/imprensa/exibeconteudo?article-id=1444517

3Link: http://www.abeoc.org.br/2013/01/abih-rj-divulga-primeira-previa-sobre-ocupacao-do-carnaval-2013/

4Link: http://www.brasil.gov.br/economia-e-emprego/2013/02/economia-do-carnaval

5Por emprego temporário, entende-se aquele que deve ter duração máxima de três meses, com direito a prorrogação de igual período com contrato firmado entre o trabalhador e uma empresa do setor devidamente autorizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

6Link:http://oglobo.globo.com/economia/emprego/carnaval-tera-menos-trabalhadores-temporarios-mas-salarios-serao-maiores-aponta-estudo-da-cnc-11626975

 


 

 

 

 

 

 

 

 

No final de fevereiro, a cerimônia do Oscar vai englobar o lirismo e a nostalgia dos nobres ideais dos anos 60, pelo olhar de um paulistano de 44 anos, Alê Abreu, com sua animação “O menino e o mundo”, lançado em 2014.

 

Com traços inspirados nas pinturas de Joan Miró e Paul Klee, a história conta as descobertas de um garoto que sai de sua casa, em uma pequena aldeia, em busca do pai. O mundo, cheio de animais, também é recheado de máquinas e seres diferentes. Uns têm muito, outros quase nada. Sem medo de parecer engajada, a narrativa retrata a realidade latino-americana e seus contrastes. “Eu escutava canções de Victor Jara, Violeta Parra...E me imaginava nos lugares que elas mencionavam. Aí, desenhava algumas passagens e as juntava na ilha de edição, sem um roteiro prévio”, disse o diretor ao jornal El País, após a indicação.

 

A trilha sonora tem participações de Naná Vasconcelos, Emicida e o Grupo Experimental de Música - GEM. Os diálogos, em português invertido, criaram uma nova língua, universalizando a obra.

 

O cineasta Alê Abreu é também artista plástico. Seu primeiro filme é de 1984, Memória de Elefante. Fez curso no Museu da Imagem e do Som (MIS) e formou-se em comunicação na década de 1990. Trabalhou com publicidades e ilustrações de revistas, livros e jornais. Produziu os curtas “Siríus” (1993) e “Espantalho” (1998). Em 2007, lançou “Cósmico” e o curta “Passo”; em 2008, “Garoto”.

 

Foi o artista homenageado do Anima Mundi em 2007. Dois anos depois, criou e dirigiu o piloto da série “Vivi Viravento”, para o Anima TV (TV Cultura). Em 2010, publicou o livro infantil “Mas será que Nasceria a Macieira?”, em parceria com Priscila Kelle. No mesmo ano, foi convidado a criar a imagem dos 18 anos do Anima Mundi.

 

Festival Internacional de Animação do Brasil, o Anima Mundi teve sua primeira edição em 1993. É realizado anualmente em julho, no Rio de Janeiro e em São Paulo. É o maior festival da América Latina. Além das exibições, o evento estimula os espectadores a produzir em sete técnicas: desenho animado (2D), zootropo, massinha, pixilation, areia, recortes e animação direta na película 35mm.

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mais do que Prata da Casa , “Joia do Sinal”! Assim nossa homenageada poderia ser denominada, na visão de Sergio Belsito, presidente do Sinal RJ.

 

Detentora da memória das duas últimas décadas do sindicato, Sandra Leal é a própria essência do funcionamento e da estrutura so Sinal, além de ter participado das discussões sobre a sua constituição, na década de 1980.

 

Com grande capacidade de agregar, ela tem uma importância enorme para o nosso dia a dia, dando objetividade às ações administrativas e políticas, quando exigida, diz Belsito.

 

É pau para toda obra, brinca. É o verdadeiro plantão, para apoiar dirigentes e conselheiros. Para Sandra, não tem tempo quente e nem hora, vive o Sinal vinte e quatro horas por dia, inclusive nos finais de semana - e sempre com boa vontade e alegria.

 

Recentemente, para a feitura da “História do SINAL”, informa João Marcus Monteiro, coordenador do grupo de pesquisa e elaboração, Sandra deu todas as “dicas” de como e onde encontrar informações e ainda emprestou a sua coletânea de informativos da ASBAC ,”Espelhos”,  fundamental para a fidedignidade da reconstituição dos fatos.

 

Por conta de suas iniciativa e determinação, o Sinal Nacional chegou com suas atividades em Brasília, no início dos anos 2000. Logo após a decisão do Conselho Nacional de zarpar para Capital Federal, Sandra não mediu esforços para viabilizar a transferência.Tratou de tudo. Escolheu local, pesquisou o que era necessário para dar comodidade à presidência e à diretoria sindical na nova sede.

 

Exigente consigo mesma e fiel aos seus princípios, defende com altivez os valores nos quais acredita. Com senso de justiça elevado,busca sempre advogar a causa dos mais fracos e desprotegidos.

 

Com a mesma desenvoltura, atuou na direção da ASBAC-Rio, no final dos anos 1980. Naquele período, lembra Paulo de Tarso Calovi,  Sandra se caracterizou por fazer uma excelente administração, buscando a harmonização entre as representações da ASBAC.

 

Fruto de seu relacionamento, a carreira no Banco Central lhe garantiu uma centena de amigos. Dos diversos setores onde atuou, a área de câmbio, talvez, tenha sido a mais importante para ela, conta Francisco Alceu Bueno Cenovicz, que a descreve como uma pessoa detentora de uma honestidade a toda prova e um invejável poder de organização, além da capacidade de liderar.

 

Foi na antiga RECAM, conta Chico, que, além da convivência, participou com Sandra das discussões sobre a futura entidade representativa dos servidores do BC, junto com Paulo Roberto de Castro.

 

Como sabem as companheiras - e companheiros - cotidianos, sua sensibilidade extrapola o relacionamento com as pessoas. Aliás, não somente as “humanas”. Sandra adora conviver com os muitos cães que mantêm em casa. E lá, tendo ou não espaço, é ainda capaz de abrigar muitos outros que possam estar desprotegidos.

 

 

O que parecia ser apenas mais um encontro casual de duas velhas amigas de trabalho acabou se tornando uma parceria para a vida toda. Encontrei Sandra no Catamarã, indo de Niterói para o Rio e, como sempre, nosso papo fluiu animado, versando sobre quase tudo, principalmente nossa recente condição de aposentadas.

 

Ela me disse que estava trabalhando no SINAL, contei sobre minha incursão na área jurídica e, de repente, surgiu a ideia: – “por que você não vem para o SINAL? Paulo (Roberto de Castro, então presidente nacional), está querendo uma pessoa para organizar o nosso Jurídico e dar atendimento aos filiados, mas ele quer alguém que, além de entender de Direito, conheça a história do Banco Central. É muito complicado para quem não conhece o Banco explicar aos filiados – e até a alguns advogados – por que somos diferentes  de todo funcionalismo e por que muitas leis e decisões judiciais não se aplicam ao nosso caso”.

 

Quando na ativa, embora filiada ao sindicato, nunca fui propriamente o que se pode chamar de “militante sindical”, mas a chance de mergulhar na nossa própria história e ainda ser útil de alguma forma era tentadora. Já admirava a Sandra pela sua garra, sua atuação à frente da ASBAC e seu otimismo contagiante, mas sempre me surpreendia mais e mais com a sua dedicação ao SINAL.

 

Nos primeiros anos, antes da sua mudança para implantar o SINAL em Brasília, tinha carona diária de ida e vinda do sindicato, com direito a horas de engarrafamento na ponte Rio-Niterói e papos intermináveis. Conversávamos sobre família, amigos, política e, principalmente, sobre o SINAL. Sandra me explicava sobre como funcionava o sindicato, sua estrutura de poder, seus objetivos, suas lutas e seus principais personagens. Aprendi a admirar e a respeitar o SINAL convivendo com alguns desses personagens e conhecendo a sua história.

 

Sandra me explicava a trajetória das lutas do Sindicato, desde que alguns colegas visionários sentiram que, que pelas nossas diferenças em relação às demais categorias, só nós mesmos poderíamos brigar pela nossa causa. Realmente, o funcionalismo do Bacen sempre foi o patinho feio, não se enquadrava no perfil de Bancário e tampouco se “encontrou” como Estatutário. Felizmente surgiram dentro do próprio corpo funcional pessoas que entenderam isso e tiveram o desprendimento de colocar até as próprias carreiras em jogo para lutar por esse ideal.

 

Com o propósito de fazer parte dessa luta, estudamos, pesquisamos, trabalhamos e viajamos muito, participamos de incontáveis reuniões, ANDs, rimos e choramos com as nossas vitórias e derrotas, compartilhamos nossos sonhos e esperanças. A única coisa que ela não conseguiu me transmitir, até agora, foi a paixão pelas séries Star Wars (mas estão de volta... quem sabe?).

 

Tenho orgulho ser amiga de uma pessoa tão íntegra, dedicada e batalhadora. Nesses anos todos de convivência, pude testemunhar a sua dedicação e lealdade. Companheira de todas as horas, “pau pra toda obra”, respeitada por todos que a cercam. A história do SINAL nunca seria completa sem uma  justa homenagem a essa criatura abnegada que o acompanha por tantos anos com tamanha dedicação e a quem devemos tanto.

 

 

Cléa da Rosa Pinheiro Carneiro

Aposentada - RJ

 

 


Uma pessoa autêntica, solidária, amorosa, amiga e guerreira! A Sandra  é uma mulher que nos ensina a ter um ambiente harmonioso no trabalho, faz questão de reconhecer a contribuição de cada um para a formação do todo. Gosta de comemorar os aniversários, gosta de cantar, ouvir a CBN, e um café quentinho não pode faltar. Uma pessoa super comprometida com o que faz, veste a camisa do Sinal. Essa é a Sandra no trabalho.

 

Sandra como amiga, é uma pessoa muito sincera e honesta, faz questão de participar de nossas vidas, de nos presentear e nos ajudar!

 

Também tem manias, coleciona imãs de geladeira - gosta de ter um de cada lugar que viaja -,adora pizza de atum sem queijo, suas coisas são super organizadas e ama assistir filmes  e séries futuristas comendo pipoca!

 

Fabrícia de Fátima Sousa Barbosa

Advogada - Sinal Nacional

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

Muito além do BCB

Guilherme Grimoni

 

Depois de ingressar no Banco Central do Brasil, é comum ver servidores dedicarem décadas ao serviço público. Esses anos vinculados apenas a um órgão resultam na vasta experiência sobre as normas bancárias nacionais, comum entre os membros da carreira, além de um currículo profundamente atrelado ao nome da instituição. Porém, a pergunta que fica é: o que fazer depois de se aposentar?

 

“Aposentadoria é a expectativa de todo trabalhador (...) que adquiriu, atingiu e cumpriu todos os seus compromissos e obrigações”, disse Paulo Littig, 63 anos, aposentado do BCB que dedicou sua carreira à divisão de câmbio em Santos, ao Refis e posteriormente à supervisão bancária (Desup), em São Paulo. Hoje, o antigo servidor trabalha na MK Consultoria Organizacional com outros colegas aposentados do Órgão. “Não tive razões específicas para começar, foi mais uma questão de oportunidade”, comentou sobre o trabalho na consultoria, depois de treinar, por volta de um ano, servidores do Banco Nacional de Angola e aproveitar o lazer de sua aposentadoria por apenas alguns meses.

 

Littig disse que foi convidado por um colega da MK para fazer um trabalho pontual de 3 semanas e que, em seguida, recebeu o convite para trabalhar na empresa – já são 4 anos no escritório. O aposentado acredita que a experiência e o conhecimento que ganhou nos anos de BCB tem um prazo de validade, devido às atualizações de normas bancárias. Nesse sentido, acha necessário compartilhar o que aprendeu, uma vez que ainda sente prazer em trabalhar na área. “As oportunidades aparecem e cabe a cada um analisar se vai aceitá-las ou não”, ressaltou. “Claro que existe a parte financeira, embora não necessite, mas com essa remuneração também posso realizar coisas que não poderia fazer apenas com a minha aposentadoria”.

 

A MK Consultoria Organizacional oferece aos clientes os serviços de compliance e controles internos, constituição de entidades financeiras e assessoria especializada – com foco nas normas do Conselho Monetário Nacional e do Banco Central do Brasil. O objetivo da empresa é disponibilizar “um braço qualificado para ajudar as instituições financeiras a estarem aderentes às normas do BCB”, como completou Paulo César Sacramento, 67 anos, cofundador da consultoria e também aposentado do BCB.

 

Sacramento contou que um colega aposentado – Yoshiharu Endo, fundador da consultoria – que trabalhava na área do Deorf, em Brasília, o convidou para ser sócio de sua empresa. Na época, ambos contavam com apenas dois clientes e a confiança de que a área criaria valor fora do BCB. Ao perceberem o crescimento da demanda, os sócios acharam oportuno convidar outros servidores aposentados para agregar mais experiência ao investimento. “Recebi a proposta como um desafio e nunca imaginei o sucesso que a empresa teria”, revelou.

 

O aposentado, assim como Littig, compartilha do mesmo pensamento, “não diria que voltei a trabalhar, na verdade, penso que mudei de emprego”. As semelhanças dos dois continuam, já que Sacramento também trabalhou na unidade do BCB em Santos – na capital paulista passou pela área de fiscalização do Mercado de Capitais e, posteriormente, trabalhou muitos anos na área de organização do sistema financeiro, atual Deorf, até se aposentar.

 

Quanto ao trabalho feito na consultoria, Paulo Sacramento revelou que “os assuntos tratados são os mesmos da época do BCB, mas estamos do outro lado do balcão” ou, em outras palavras, “antes éramos autoridade, hoje trabalhamos para se chegar até ela”.

 

A partir desses ideais e do lema que “por baixo dessa camisa, existe uma camiseta do BCB colada na pele”, os colegas deixaram seus conselhos para os servidores que forem se aposentar. Littig compartilhou que, no último dia de BCB, ao limpar seu armário, jogou fora todas as apostilas dos cursos que havia feito. Até hoje se arrepende do ato, uma vez que muitas das informações contidas nesse material são revisadas na empresa. Ressaltou também que o servidor deve se aposentar pensando no futuro, pois dificilmente os problemas financeiros serão corrigidos enquanto você estiver aposentado. Já Sacramento disse, “o que me surpreendeu quando me aposentei e vim trabalhar no mercado foram o respeito do mercado quanto à competência dos servidores do BCB e a importância da regulamentação da Autarquia no planejamento e controle das atividades das instituições financeiras”.

 

 

Sacramento reiterou que, mesmo anos depois, a vida e o trabalho permanecem seguindo a mesma ética que praticou e herdou, com orgulho, dos tempos de BCB.

 


 

 

 

 

 


Petrópolis
e o bom gosto real
 

A menos de sete anos do bicentenário da Independência, um passeio pelo patrimônio imperial, na visão de Luiz Roberto Pires Domingues Junior – um petropolitano de alma candanga.

 

Petrópolis está no meu sangue, sou filho desta terra, e mesmo há mais de três décadas longe de seu cotidiano, cumpro a rotina de uma vez ao ano passar um tempo nesta minha querida cidade imperial, acompanhado ou não da família. Como para recarregar as baterias para encarar um período à frente, necessito respirar o seu ar, sentir o seu clima, falar com meus conterrâneos. E, como num ritual, busco minha memória afetiva mesclando locais tradicionais com as novidades.

 

Divido-os em três categorias: lugares ou passeios, compras e sabores. Não falarei de hospedagem porque usufruo da residência de minha família.

 

Petrópolis, para mim, é sinônimo de Palácio Imperial, a residência de verão do Imperador Dom Pedro II, com seu belo jardim, que, na prática, fazia às vezes de sede do Império durante os verões escaldantes do Rio de Janeiro. É bom visitá-lo no começo da manhã, aproveitando o clima ameno numa caminhada pelo entorno do edifício e seus belíssimos jardins. O museu imperial mantém o mobiliário utilizado pela família imperial, com destaque para as joias, a coroa, e, no anexo, a exposição de carruagens.

 

 

Do Palácio, segue-se pela Rua da Imperatriz até a Catedral São Pedro de Alcântara, onde repousam os corpos de dom Pedro II e de dona Teresa Cristina. A igreja é o exemplo da arquitetura neogótica em nossas terras. Sua belíssima nave propicia a paz que nos dá a certeza da existência de uma força superior, também presente em nossas vidas. Permanecer um tempo em seu interior em meditação auxilia-nos na tomada de decisões. Em frente à catedral, a Avenida Koeler, totalmente arborizada e dividida pelo rio Piabanha.

 

A avenida possui um dos mais belos conjuntos arquitetônicos do país. Além de combinar edificações da segunda metade do século XIX, há imóveis do início do século XX, em sua maioria, bem conservados, como o da residência da Princesa Isabel - não aberta, infelizmente, à visitação - e o Palácio Rio Negro, residência de verão dos presidentes da República.

 

Saindo da Avenida Koeler, há três opções, todas interessantes. A primeira é atravessar a Praça da Liberdade para chegar à Rua Monsenhor Bacelar, onde se encontra o Museu de Cera, que destaca figuras de personalidades nacionais. Logo acima, ao lado do relógio de flores da Universidade Católica de Petrópolis, a curiosa casa de veraneio de Santos Dumont.

 

 

A segunda opção é seguir pela Avenida Roberto Silveira, passando em frente ao Petropolitano Futebol Club (um dos fundadores da liga de futebol do estado do Rio de Janeiro, junto com o Canto do Rio, Botafogo e Fluminense) e que oferecia, para mim, o melhor baile de Carnaval da serra. Ao fim da via, visita-se a Fábrica da Cervejaria Bohemia, fundada em 1853, a primeira instalada no país.

 

Pela Rua Alfredo Pacha, avista-se o Palácio de Cristal, encomendado pelo Conde D’Eu, para servir como orquidário, exposições hortícolas e área de exposição botânica. A terceira opção, saindo da Avenida Koeler, é seguir pela Rua João Pessoa até a do Imperador, rua central da cidade. Nela, sobressaem-se algumas construções, como a de um dos primeiros prédios dos Correios e Telégrafos construídos e ainda em funcionamento; o Grande Hotel, recentemente reformado; e, à sua frente, o obelisco, que tem gravado em cada uma de suas faces os nomes dos homens que ajudaram a construir Petrópolis.

 

Fora do roteiro do centro histórico, o Trono de Fátima pede uma pausa de constrição, além de apresentar uma bela vista panorâmica da cidade; o museu “Castelo das Armas Ferreira da Cunha”, no km 40 da estrada Rio-Petrópolis, com mais de 3 mil itens expostos, incluindo o acervo de baionetas, é uma réplica de um castelo medieval; e o Castelo de Itaipava, reprodução de um castelo europeu. Além dos edifícios, claro, o passeio pelo Parque Nacional da Serra dos Órgãos, com entrada pela Estrada do Bonfim e pelo Parque Municipal de Petrópolis, já no distrito de Itaipava.

 

Após se degustar com o passado vivo de uma das mais belas cidades do Brasil, entregamo-nos aos sabores da terra, respeitando a história da colonização alemã e uma de suas características mais marcantes: a produção de linguiças.

 

São muitos os estabelecimentos que oferecem  “pão com linguiça” em seus diversos tipos. Ao experimentá-los, sempre me surpreendo positivamente com a sua variedade, gosto e qualidade. Um dos mais tradicionais é o da Casa do Alemão, na Rua 16 de Março, no centro histórico. Em minhas memórias sensoriais, tem, também, lugar cativo a Petrópolis Padaria e Confeitaria (Rua do Imperador, 379). Nas visitas à cidade, sou intimidado a retornar com bagagem específica de seus produtos.

 

 

Para o almoço com qualidade e preço honesto, a sugestão é o Restaurante Self Service Capitólio, ou o Restaurante da Empada Brasil, ambos na Rua João Pessoa. Para o lanche da tarde ou para saborear uma guloseima, os Doces Húngaros, na Rua Marechal Deodoro, e a Willensem, ao lado da Casa do Alemão, também ela uma boa opção. No jantar, o Massas Luigi, na Praça da Liberdade, serve uma lasanha com um quê especial, sem contar a Locanda de La Mimosa, uma das poucas casas agraciadas com estrelas Michelin no Brasil. Para a noite, um happy hour, a Cervejaria Bohemia.

 

No quesito compras, a famosa Rua Tereza, com quilômetros de lojas de vestuário. Como frequentador da rua desde moleque – minha mãe teve uma lojinha ali nos idos de 1970 –, reconheço que a maioria das lojas, atualmente, revende produtos de São Paulo, importam da China ou estão direcionando seu mercado consumidor para os produtos “estilo camelô”. No entanto, ainda é possível encontrar lojas que primam pela qualidade das roupas. Assim, vale a pena procurar com calma – há muita coisa para se comprar também no atacado. Sempre que vou a Petrópolis com minha esposa, buscamos qualidade e o bom gosto confeccionados pela Moda praia Catalina (vila Coronel Batista de Castro nº 50, no final da Rua Tereza). 

 

Por fim, uma passadinha na joalheria Ewiglich, à Rua 16 de Março. Para coroar o ambiente romântico e lúdico, peças interessantes a um preço acessível, comparados com as boas casas do ramo.

 

 

 
 


 

 

 

 

 

“O sonho de uma vida!”

 

Após vários anos, a Casa do Patriarca, na Ilha de Paquetá, viu-se, finalmente, sem a placa de venda exposta em uma de suas árvores frontais. A antiga chácara foi moradia, refúgio e prisão domiciliar de José Bonifácio de Andrada e Silva. Ali, na praia que hoje leva seu nome, às margens da baía de Guanabara, o tutor de Pedro II, que governaria o país por meio século, o estadista, entusiasta e articulador da independência permaneceu até 12 dias antes de sua morte, ocorrida em 6 de abril de 1838, no bairro do Ingá, em Niterói.

 

Nascido em Santos (SP), a 13 de junho de 1763, Bonifácio estudou os primeiros anos na capitania de São Paulo e cursou Ciências Naturais e Direito na Universidade de Coimbra. Após a expulsão dos franceses, da qual participou durante a guerra napoleônica, chefiou a polícia do Porto. Ao retornar ao Brasil, foi vice-governador de São Paulo e ministro do Reino e dos Negócios Estrangeiros, entre 1822 e 1823. Doutor em filosofia e mineralogista, percorreu dez países europeus.

 

Chamada por seu adversários de “República de Paquetá”, a casa foi leiloada seis meses após sua morte e adquirida na década de 1930 pela mesma família que agora a revendeu ao jornalista Fichel Davit Chargel. O novo proprietário planeja montar ali um museu de comunicação e costumes!

 

A imortalidade presente em Paquetá*

 

O “quintal do Bonifácio”, no dizer alguns moradores, viu nascer entre suas árvores o Jacas Soçaite, grupo que se reunia entre 1955 e 1970, e que chegou a mais de 50 integrantes, entre eles, o recém-eleito presidente da Academia Brasileira de Letras, Domício Proença Filho. Jovens, jogavam futebol, vôlei, handebol e frescobol. À revista Piauí, em 2014, Domício, levantador no vôlei, garantiu que, naquela época, conhecia todas as árvores das ruas. “Acácias douradas, árvores frutíferas… Abricó, sapoti, abiú do Japão… Com o cheiro dos oitis navego na infância”.

 

Aos 80 anos, completados em 25 de janeiro, autor de inúmeras obras de Língua Portuguesa, Literatura, Comunicação, Cultura, Mitologia, entre elas, o “Oratório dos Inconfidentes”, ilustrado com inéditos de Portinari, publicado em 1989, Domício cursou o primário na Escola Joaquim Manoel de Macedo (autor de A Moreninha), em Paquetá.

 

*Coincidentemente, o tema de capa da Sinal Plural nº 12, de abril de 2012, foi “A eternidade presente em Paquetá”.

 

 

 

A Sinal Plural flagra a escada, ainda encostada à árvore, poucos segundos após a retirada da placa de venda da Casa do Patriarca, localizada à Praia José Bonifácio, antiga Praia da Guarda, também lembrada por todos que frequentam a ilha como a praia dos pedalinhos.

 

Fotos: Myrian Luiz Alves