Page 34 - Sinal Plural 12
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Eternidade
presente
N o coração da Baía cidade, a de um país. Seus oito quilômetros de
de Guanabara, a perímetro guardam histórias de aventuras, len-
pouco mais de 19 das e tradições, arquitetura, poesia e futebol.
quilômetros do
centro do Rio, desenha-se a Ilha de Pa- A ilha onde dizem ter sido asilo político de
quetá, pertencente desde 1975 ao muni- José Bonifácio mantém a “divisão” de seu terri-
cípio do Rio de Janeiro. tório como no tempo das sesmarias. A área nor-
te é o Campo, a sul é a Ponte.
O infinito de sua geografia revela-se em
seu cotidiano. O passado está sempre pre- Há um clima de aldeia no ar. Aos sába-
sente no jeito de viver da maioria de seus dos, essa sensação aumenta, principalmente
3 mil moradores, no contar de coisas pre- durante as compras de rua: o peixe e o ca-
téritas, pois antigamente tudo era melhor, marão, os doces e salgados. Como a música
contam, ou mais feliz. Mas, se um dia tudo nunca se ausenta, a comunidade, unida aos
foi bom, pode ser novamente. E o nascer novos moradores e outros que retornaram às
do sol e seu poente provam ser possível suas origens, produz novos talentos. Luta por
mudar a realidade. Em Paquetá, é preciso reviver períodos glamourosos, quando a arte
cantar e dançar para projetar novos dias. nascia e também aportava na terra da Moreni-
nha, de Joaquim Manoel de Macedo.
Além de ser ilha, sua forma de um oito per-
mite ao lugar ser dono de si mesmo. De caráter Se a imortalidade é o infinito presente, como
rebelde, avessa ao sentido de autoridade, a co- disse o guru indiano Krishnamurti ao visitar a
munidade não se entende como habitante de ilha, o tempo clama para jamais ter fim, nos can-
um bairro apenas; pensa ser, mais que a de uma tos e recantos da bela Ilha de Paquetá.
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