Page 26 - Sinal Plural 12
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POLÍTICA

    Indústria das chuvas

    Prefeitos do Sul fazem agora o mesmo que                    O prefeito foi afastado por suspeita de falsa co-
                  os seus colegas do Nordeste: superes-     municação de desastres para realização de compras
                  timam prejuízos provocados por fatores    fraudulentas e desvio de verba pública.
                  climáticos para receber mais recursos.
        O jornal O Globo constatou que em vários mu-            Em Blumenau, também em Santa Catarina, a Cor-
    nicípios notas fiscais forjadas justificaram compras    regedoria Geral da União (CGU) concluiu que 14 de
    inexistentes de materiais de construção. Até pontes     324 moradias foram construídas, embora o município
    antigas foram esquecidas para serem “construídas”       tenha recebido repasse integral de recursos federais
    novamente, enquanto outras foram refeitas duas          após a situação de calamidade de 2008.
    vezes. Pagamento por serviços jamais
    prestados é outro jeitinho que                                       Dados do Ministério da Integração revelam
    os gestores sulistas encon-                             que 55 cidades emitiram seis decretos em quatro
    tram para garfar o erário.                              anos. Três são gaúchas e 52 de Santa Catarina. O
                                                            abuso é explicado pelo diretor de prevenção de De-
        Segundo o jornal, a                                 fesa Civil do estado, Emerson Neru Emerim: “O nú-
    primeira medida dos                                     mero de decretos cresceu porque muitos desastres
    prefeitos é decretar                                    ocorreram, é fato. Mas a ‘indústria da decretação’
    emergência ou estado                                    também cresceu”.
    de calamidade, permi-
    tindo assim a dispensa de licitação.
    Cidades do Rio Grande do Sul e Santa Cata-
    rina responderam por 45% das declarações.

        Alguns chamam a situação de emergência
    de “porta da esperança”. Barra Velha (SC), por
    exemplo, recebeu em 2008 R$ 249 mil da União
    para recuperação de vias alagadas. A Polícia Federal
    descobriu que o prefeito Samir Mattar cobrou propina
    de R$ 20 mil de uma empresa “escolhida” para ser
    contratada. Após um ano, a prefeitura declarou nova
    situação de emergência e recebeu R$ 609 mil. Parte
    do que seria comprado sequer foi entregue.

        Com outros deslizamentos, novamente Barra Ve-
    lha recebeu do governo federal R$ 950 mil. O custo
    correto para as reparações seria R$ 83 mil. Não sa-
    tisfeito, o prefeito emitiu novo decreto em janeiro de
    2010 e pediu R$ 1 milhão para a construção de uma
    ponte já existente. A PF impediu o repasse.

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