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POLÍTICA
Indústria das chuvas
Prefeitos do Sul fazem agora o mesmo que O prefeito foi afastado por suspeita de falsa co-
os seus colegas do Nordeste: superes- municação de desastres para realização de compras
timam prejuízos provocados por fatores fraudulentas e desvio de verba pública.
climáticos para receber mais recursos.
O jornal O Globo constatou que em vários mu- Em Blumenau, também em Santa Catarina, a Cor-
nicípios notas fiscais forjadas justificaram compras regedoria Geral da União (CGU) concluiu que 14 de
inexistentes de materiais de construção. Até pontes 324 moradias foram construídas, embora o município
antigas foram esquecidas para serem “construídas” tenha recebido repasse integral de recursos federais
novamente, enquanto outras foram refeitas duas após a situação de calamidade de 2008.
vezes. Pagamento por serviços jamais
prestados é outro jeitinho que Dados do Ministério da Integração revelam
os gestores sulistas encon- que 55 cidades emitiram seis decretos em quatro
tram para garfar o erário. anos. Três são gaúchas e 52 de Santa Catarina. O
abuso é explicado pelo diretor de prevenção de De-
Segundo o jornal, a fesa Civil do estado, Emerson Neru Emerim: “O nú-
primeira medida dos mero de decretos cresceu porque muitos desastres
prefeitos é decretar ocorreram, é fato. Mas a ‘indústria da decretação’
emergência ou estado também cresceu”.
de calamidade, permi-
tindo assim a dispensa de licitação.
Cidades do Rio Grande do Sul e Santa Cata-
rina responderam por 45% das declarações.
Alguns chamam a situação de emergência
de “porta da esperança”. Barra Velha (SC), por
exemplo, recebeu em 2008 R$ 249 mil da União
para recuperação de vias alagadas. A Polícia Federal
descobriu que o prefeito Samir Mattar cobrou propina
de R$ 20 mil de uma empresa “escolhida” para ser
contratada. Após um ano, a prefeitura declarou nova
situação de emergência e recebeu R$ 609 mil. Parte
do que seria comprado sequer foi entregue.
Com outros deslizamentos, novamente Barra Ve-
lha recebeu do governo federal R$ 950 mil. O custo
correto para as reparações seria R$ 83 mil. Não sa-
tisfeito, o prefeito emitiu novo decreto em janeiro de
2010 e pediu R$ 1 milhão para a construção de uma
ponte já existente. A PF impediu o repasse.
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