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A crise nos países europeus requentou um debate emblemático para os
economistas: qual o tamanho ideal do Estado e a política econômica mais
indicada para sair da beira do abismo? Países como a Grécia, que acumula
um rombo de £ 300 bilhões ou o equivalente a mais de R$ 780 bilhões,
têm preferido abater parte da dívida em acordos com os credores e com um
pacote de ajuda do Fundo Monetário e do Banco Central Europeu em troca
de austeridade fiscal e privatizações. Já a Islândia optou por uma saída
que, por ironia, cairia sob medida ao berço da democracia: a rejeição da
estatização dos prejuízos e a prisão dos responsáveis com o fortalecimento
da participação popular nas decisões
A crise explodiu na Europa no ano ministros de finanças da Zona do Euro público em Portugal, no fim de março.
passado. Uma a uma, as economias de aceitaram ampliar o fundo de apoio Em Paris, 9 mil pessoas saíram em
alguns dos principais países da Zona do aos endividados para £ 800 bilhões – passeata no bairro da Bastilha com
Euro foram sucumbindo ao peso das quase R$ 2 trilhões. Em troca, os países cartazes escritos “Já basta”.
dívidas: Grécia, Irlanda, Itália, Portugal têm aceitado apertar o cinto, reduzir
e Espanha entraram em estagnação os gastos públicos, enxugar a máquina “Os países europeus que vão se
ou recessão. A França aparentemente estatal e privatizar serviços. curvar ao FMI e que desejam conhecer
resistiu melhor à crise, enquanto a o seu futuro não precisam de ‘bola de
Alemanha, que sentiu menos os efei- Combater a doença cristal’. Basta conhecer a história eco-
tos, saiu fortalecida. As dificuldades já e matar o doente nômica desastrosa da América Latina
haviam aparecido em 2009, porque o Os resultados positivos têm sido len- dos anos 1990”, reagiu o economista
setor público estatizou a dívida privada tos, mas os negativos surgem com a João Sicsu num artigo no portal Carta
contraída pelo sistema financeiro em velocidade das más notícias. O desem- Maior, na internet. “A Grécia, com sérios
empréstimos aos bancos americanos prego na região já atinge 13 milhões problemas de déficit e um aparelho
que deram o calote. O processo se de pessoas. Só na Espanha, onde a estatal desproporcional, corre o risco
agravou porque as famílias europeias taxa de desemprego, de 23%, é a de aprofundar o processo de recessão
vinham se endividando para alcançar mais alta do continente, são 3 milhões se limitar-se apenas ao corte de gastos
um modelo de consumo copiado do de desempregados. Uma greve contra públicos”, endossa João Sabóia, do
american way of life em que felicidade as medidas de austeridade e as refor- Instituto de Economia da Universidade
era sinônimo de consumo de produtos mas trabalhistas em troca da ajuda de Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
de última geração. £ 78 bilhões – R$ 190 bilhões – da
União Europeia e do FMI suspendeu Gastos públicos sempre têm peso
A receita de quase todos os países a circulação de trens, fechou portos e significativo nas contas nacionais.
para sair da crise depende de um paralisou a maior parte do transporte John Maynard Keynes, defensor da
pacote de ajuda. No fim de março, os política econômica intervencionista
do Estado e um dos pais da macroe-
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