Page 14 - Por Sinal 37
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cais e correu um risco sério de perda de   públicos. “Tem gente que acha que         Até o Estado mínimo parece fazer
memória com a evasão de pessoal ou o       tem servidor demais ou que defende    falta hoje em muitas áreas de atuação
envelhecimento da força de trabalho, a     um Estado mais eficiente, mas o mais  do setor público. Numa entrevista à
contenção de concursos e a intensifica-    importante é que ele compatibilize    revista Carta Capital, o cientista políti-
ção da terceirização”, diz Marcelo Viana.  o tamanho da folha à sua vocação      co Wanderley Guilherme dos Santos
“Quando estava na Secretaria de Ges-       de suporte à cidadania”, comenta      aponta que as políticas de governo
tão, havia risco de perda de memória       o diretor de Comunicação do Sinal     são de bem-estar social e progresso,
no IBGE e no Banco Central.”               Nacional, Gustavo Diefenthaeler. “O   mas o Estado não está aparelhado para
                                           Estado mínimo é sempre desejável,     atendê-las. Isso, segundo ele, provoca
    A ameaça ainda existe. A previsão      mas no momento em que cerca de        o atraso em obras do Programa de Ace-
é que 80 mil servidores se aposen-         50 milhões de pessoas ingressam       leração do Crescimento (PAC), como a
tem nos próximos anos. Só no Banco         no mercado consumidor por conta       Transposição do Rio São Francisco e a
Central, seriam pelo menos 1.300           da política econômica do governo e    Transnordestina, ou no atendimento do
em um ano e meio. Apenas 700 das           demandam informação, proteção e       Sistema Único de Saúde (SUS) e na in-
1.200 vagas criadas pela aposentadoria     serviços, é importante que o Estado   serção de mais brasileiros a programas
de funcionários da instituição foram       esteja equipado para atendê-las.”     como Bolsa Família ou Luz para Todos.
preenchidas pelos últimos concursos

 Qual o peso da Previdência Social?

    Na contabilidade do Estado brasileiro há ainda o peso da Previdência. Em 2011, o déficit do setor chegou a
    R$ 89,5 bilhões – 2,16% do PIB. Só o Regime Geral de Previdência Social (RGPS) contribuiu com R$ 35,3 bi-
    lhões – 0,85% do PIB – para o rombo, enquanto o déficit previdenciário do setor público federal pelo Regime
    Próprio de Previdência Social (RPPS) foi de R$ 54,2 bilhões – 1,31% do PIB. O governo, além da parte patronal
    legal de R$ 13,4 bilhões, teve de cobrir o déficit previdenciário, totalizando R$ 67,6 bilhões – nada menos de
    57% dos gastos com pessoal ativo.

         Cansado de rebater estudos que tentam demonstrar que a Previdência Social não gera déficit, o economista Ricardo
    Bergamini decidiu montar um modelo a partir de dados do Ministério do Planejamento que necessita apenas de co-
    nhecimentos de nível básico para ser entendido. A matemática de primário contrapõe os 1.229.710 servidores federais
    ativos que existiam em dezembro de 2011, e que custaram R$ 118,6 bilhões ao Tesouro Nacional, aos 1.000.994
    inativos, que responderam por R$ 78,8 bilhões de despesas, para apontar algumas conclusões:

         1) Há 1,22 servidor federal ativo para 1,00 servidor federal inativo – uma proporção desequilibrada por conta de
    distorções, como a aposentadoria precoce de políticos e as pensões para filhas de militares.

         2) A União gasta 66,44% do que é pago aos servidores federais ativos com o pagamento dos inativos. Número
    obtido dividindo-se os gastos com servidores federais inativos, de R$ 78,8 bilhões, pelos gastos com servidores federais
    ativos, de R$ 118,6 bilhões.

         3) Como, em média, os servidores federais ativos, inativos e pensionistas contribuem com 11% dos seus salários
    para o fundo do Regime Próprio de Previdência da União, ficam faltando 55,44% dos gastos correspondentes aos sa-

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