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cais e correu um risco sério de perda de públicos. “Tem gente que acha que Até o Estado mínimo parece fazer
memória com a evasão de pessoal ou o tem servidor demais ou que defende falta hoje em muitas áreas de atuação
envelhecimento da força de trabalho, a um Estado mais eficiente, mas o mais do setor público. Numa entrevista à
contenção de concursos e a intensifica- importante é que ele compatibilize revista Carta Capital, o cientista políti-
ção da terceirização”, diz Marcelo Viana. o tamanho da folha à sua vocação co Wanderley Guilherme dos Santos
“Quando estava na Secretaria de Ges- de suporte à cidadania”, comenta aponta que as políticas de governo
tão, havia risco de perda de memória o diretor de Comunicação do Sinal são de bem-estar social e progresso,
no IBGE e no Banco Central.” Nacional, Gustavo Diefenthaeler. “O mas o Estado não está aparelhado para
Estado mínimo é sempre desejável, atendê-las. Isso, segundo ele, provoca
A ameaça ainda existe. A previsão mas no momento em que cerca de o atraso em obras do Programa de Ace-
é que 80 mil servidores se aposen- 50 milhões de pessoas ingressam leração do Crescimento (PAC), como a
tem nos próximos anos. Só no Banco no mercado consumidor por conta Transposição do Rio São Francisco e a
Central, seriam pelo menos 1.300 da política econômica do governo e Transnordestina, ou no atendimento do
em um ano e meio. Apenas 700 das demandam informação, proteção e Sistema Único de Saúde (SUS) e na in-
1.200 vagas criadas pela aposentadoria serviços, é importante que o Estado serção de mais brasileiros a programas
de funcionários da instituição foram esteja equipado para atendê-las.” como Bolsa Família ou Luz para Todos.
preenchidas pelos últimos concursos
Qual o peso da Previdência Social?
Na contabilidade do Estado brasileiro há ainda o peso da Previdência. Em 2011, o déficit do setor chegou a
R$ 89,5 bilhões – 2,16% do PIB. Só o Regime Geral de Previdência Social (RGPS) contribuiu com R$ 35,3 bi-
lhões – 0,85% do PIB – para o rombo, enquanto o déficit previdenciário do setor público federal pelo Regime
Próprio de Previdência Social (RPPS) foi de R$ 54,2 bilhões – 1,31% do PIB. O governo, além da parte patronal
legal de R$ 13,4 bilhões, teve de cobrir o déficit previdenciário, totalizando R$ 67,6 bilhões – nada menos de
57% dos gastos com pessoal ativo.
Cansado de rebater estudos que tentam demonstrar que a Previdência Social não gera déficit, o economista Ricardo
Bergamini decidiu montar um modelo a partir de dados do Ministério do Planejamento que necessita apenas de co-
nhecimentos de nível básico para ser entendido. A matemática de primário contrapõe os 1.229.710 servidores federais
ativos que existiam em dezembro de 2011, e que custaram R$ 118,6 bilhões ao Tesouro Nacional, aos 1.000.994
inativos, que responderam por R$ 78,8 bilhões de despesas, para apontar algumas conclusões:
1) Há 1,22 servidor federal ativo para 1,00 servidor federal inativo – uma proporção desequilibrada por conta de
distorções, como a aposentadoria precoce de políticos e as pensões para filhas de militares.
2) A União gasta 66,44% do que é pago aos servidores federais ativos com o pagamento dos inativos. Número
obtido dividindo-se os gastos com servidores federais inativos, de R$ 78,8 bilhões, pelos gastos com servidores federais
ativos, de R$ 118,6 bilhões.
3) Como, em média, os servidores federais ativos, inativos e pensionistas contribuem com 11% dos seus salários
para o fundo do Regime Próprio de Previdência da União, ficam faltando 55,44% dos gastos correspondentes aos sa-
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