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fundamental nas políticas praticadas por Lula e Dilma. Nós          Como o senhor vê a pressão dos setores da base de apoio
estamos vendo a intervenção do Estado, e o Estado brasileiro       do governo que estão jogando pesado contra o governo
é paradigmático. A intervenção do Estado na economia foi           pela liberação de recursos?
o que fez a diferença. E com diversos órgãos: com o Banco          O governo precisa mudar algumas coisas; a taxa de câmbio,
Central, o BNDES, a Petrobras, a Caixa, o Banco do Brasil.         por exemplo. Tivemos um baixo crescimento industrial – o
Quer dizer, se a gente, hoje, ainda não tivesse um arcabouço       crescimento ainda foi em cima do consumo, e o crescimento
de estatais e autarquias no aparelho do Estado, estaria na         do consumo não gera riqueza. O crescimento da indústria
mesma situação da Grécia, da Itália, da Espanha. A Espanha         é que reproduz riqueza e potencializa novos crescimentos.
está com mais de 20% de desemprego, está certo, porque             Agora, é claro, o consumo está crescendo porque as políticas
extremou o liberalismo. A Argentina quase quebrou, porque          sociais alimentaram o mercado interno. O que se pensou que
extremou o liberalismo, e hoje vem sendo recuperada.               era uma esmola, apenas para tirar as pessoas da pobreza,
                                                                   virou um mecanismo fabuloso de aceleração e sustentação
 Na contramão, não adotou a receita neoliberal e está             da economia. Quer dizer, o mercado interno brasileiro, hoje,
enfrentando a crise de outra maneira.                              está sustentando a economia. Muito por conta das obras pú-
É isso, ou seja, os países que não extremaram o neoliberalismo,    blicas, do PAC, da construção civil e de outros investimentos,
que ainda preservaram um Estado que intervém na economia,          e muito disso em função das políticas sociais.
fomenta, controla, é que estão sobrevivendo à crise.
                                                                    Muitos parlamentares da própria base de apoio recla-
 Mas, para enfrentar a crise, o governo Dilma está con-           mam que o governo Dilma só se preocupa com as ações
tingenciando recursos, e em áreas importantes, não?                mais estruturantes, de planejamento, e não é sensível às
Claro, nós tivemos o contingenciamento de R$ 50 bilhões,           emendas parlamentares que buscam atender a demandas
afetando áreas sociais – R$ 5 milhões na Saúde, por exem-          regionais da população mais pobre. Pelo que eu li na inter-
plo. É que o Brasil não é uma redoma imune. Lula estava            net, o senhor defende e acha que pode ser negociado com
certo quando disse que era uma marolinha, só que é uma             o governo, que algumas emendas, especialmente nas áreas
marolinha que também bate nas nossas ondas, bate nas nos-          da saúde e educação, fossem obrigatórias e não poderiam
sas pernas, nos faz balançar, reduz o ritmo de crescimento, o      ser contingenciadas. É isso mesmo?
nível de receita do Estado, a disponibilidade financeira. É claro  Dilma está pensando como deve pensar um presidente da
que este momento não é bom para a gente, especialmente             República. Está pensando como estadista. E estadista não
os servidores. Mas acredito que o Brasil ainda possa, este         pensa no curto prazo, pensa no longo prazo. Como eu disse
ano, melhorar seu crescimento, suas finanças, e acelerar essa      anteriormente, o crescimento industrial é que retroalimenta
recuperação da máquina do Estado. Mas, insisto, nós vivemos        o crescimento, e a infraestrutura é que também propicia
uma crise, uma crise mundial. O Brasil é um dos países que         o crescimento. O Brasil esteve estrangulado durante o
menos sofrem com a crise, mas sofre. Tivemos um PIB de             governo Fernando Henrique, porque não tinha energia
2,7%, em 2011, o primeiro trimestre beira a estagnação, com        elétrica suficiente para alimentar e alavancar o crescimento
pouco crescimento, ou quase nenhum, e isso se reflete no           da economia. Se você não investe em energia, qual é a
ritmo das políticas. O contingenciamento de R$ 50 bilhões          nova indústria que vai se instalar se não tiver capacidade
não é definitivo. Mas se a economia só voltar a acelerar em        energética sobrando para futuros investimentos? Se você
agosto ou setembro, isso vira um problema, porque aí já não        não tiver portos modernos, se você não tiver ferrovias
se tem capacidade de execução do que foi descontingen-             modernas, como é que vai criar a logística para fazer com
ciado. Mesmo assim, acho que o contingenciamento é uma             que essas riquezas sejam transportadas, cheguem até o
prevenção, uma segurança, e tem de ser feito.                      mercado adequadamente?

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