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ARTIGO
A redução do spread bancário ainda
é um desafio do Banco Central
Maria Juliana Zeilmann Fabris (*)
A essência primordial dos bancos é a intermediação fi- na inserção no sistema financeiro internacional, como o
nanceira, ou seja, direcionar recursos dos poupadores aos Chile e o México, ou seja, o custo imputado aos tomadores
tomadores de crédito. Neste processo, além da remunera- de crédito, além da remuneração dos recursos, é substan-
ção dos recursos captados, há custos envolvidos que vão cialmente maior, conforme Gráfico1.
desde as despesas administrativas até o lucro do banqueiro,
passando pelo pagamento de impostos e pela possibilidade Ao instituir, em 1999, o projeto Juros e Spread Ban-
de default de parte das operações. Estes custos compõem cário, o Banco Central externou seu reconhecimento e
o spread bancário, ou seja, a diferença entre a taxa de apli- preocupação com as elevadas taxas de juros praticadas no
cação e a taxa de captação de recursos e que, portando, dá Brasil, bem como sua intenção em trabalhar pela redução
uma ideia da eficiência do sistema bancário1 . do diferencial entre as taxas de captação e aplicação dos
recursos. Adicionalmente, foi instituído pelo BC um bureau
No Brasil, a estabilidade monetária obtida a partir do de crédito2 , que, apesar de objetivar o fornecimento de
Plano Real, a estabilidade macroeconômica e o aprofun- subsídios para a supervisão bancária, deveria contribuir
damento do nível de intermediação financeira resultaram para a melhoria da qualidade do crédito, tendo em vista
em redução dos spreads bancários, porém esses efeitos o acesso dos bancos aos dados das operações de seus
não foram observados em níveis suficientes para promover clientes, contratadas com a totalidade das instituições
a convergência às taxas praticadas internacionalmente. financeiras, concorrendo para a queda do spread, via
Segundo o Banco Mundial, em 2010 (último dado disponí- redução da incerteza e da inadimplência. No entanto,
vel), o spread médio de 125 países atingiu 6,25%. Nesse quando se examina a decomposição do spread em 2010
ano, o Brasil registrou a terceira maior taxa, precedido pela (Gráfico 2), tem-se que o risco de crédito é o segundo
República Democrática do Congo e Madagascar, econo- principal fator, tendo respondido por 28,7% do indicador
mias com menor desenvolvimento econômico e reduzido naquele ano, sem que tenha havido redução significativa,
nível de intermediação financeira (esta não foi uma posição quando comparado com a média do quinquênio anterior,
isolada, já que no triênio anterior o país alternou entre a 28,8%. Ainda que a avaliação do risco de crédito feita pelos
segunda e a primeira posição neste ranking). A situação bancos tenha algum grau de arbitrariedade, por conta de
não é diferente na comparação do Brasil com países com diferentes métodos, espera-se uma forte relação com a
alguma similaridade na condução da política monetária e taxa de inadimplência observada no sistema bancário (sem
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