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esquecer-se do arcabouço institucional no que se refere à
execução das garantias), de forma que tamanho risco de
crédito sugere um alerta na qualidade nas concessões.
Outro grande componente do spread, a margem (*) Analista do Banco Central, doutora em Economia pela
líquida respondeu por 32,7%, em média, da proporção Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
do indicador, participação que é um pouco menor nos 1 Para fins desta nota, adotou-se o conceito ex ante para
bancos públicos, 30,6%, conforme Relatório de Economia o spread bancário.
Bancária e Crédito de 2010 do BC. Muito embora inexista 2 Central de Risco de Crédito (CRC), substituída posteriormente
medida que induza os bancos a contrair seu mark-up, este pelo Sistema de Informações de Crédito (SCR).
processo poderá ocorrer pelo estímulo à concorrência, “As opiniões aqui expressas são exclusivamente da autora e não
com medidas, como a divulgação das taxas praticadas nas refletem, necessariamente, a visão do Banco Central do Brasil”.
diferentes modalidades de crédito, além da portabilidade
cadastral, que procurou deixar menos engessada a relação
banco/cliente, facilitando a troca de banco.
O elevado custo imputado aos tomadores de recursos
do sistema financeiro no Brasil ainda é uma realidade – e
um desafio – que acarreta, de um lado, a possibilidade de
seleção adversa e, principalmente, redução no volume de
crédito. No primeiro caso, é factível supor que spreads altos
(que levam a elevadas taxas de juros de empréstimos)
afastam os tomadores de crédito mais conservadores,
ou cujos investimentos possuam menor taxa de retorno,
restando no mercado uma parcela maior de risk-lovers. Tal
processo desencadearia um círculo vicioso, pois a inadim-
plência tenderia a elevar-se, implicando nova alta dos juros
que, novamente, reduziria a qualidade do crédito. E vice-
versa, ou seja, menores spreads implicam juros menores
que contribuem para a qualidade das operações de crédito
e, portanto, para a estabilidade do sistema financeiro.
Com relação ao volume de crédito, observe-se que
houve importante ampliação da razão crédito/PIB a partir de
2004, mantendo tendência crescente desde então e atingin-
do percentual de 48,2% em janeiro deste ano, crescimento
de 24,2 p.p. ante dezembro de 2003. Apesar da ampliação,
esta relação ainda é baixa se comparada com países como
Estados Unidos e Japão, onde ultrapassa 200%, ou mesmo
do Chile, onde o percentual atingiu 73,2%, em dezembro
de 2010. Neste sentido, mantido o ambiente de estabili-
dade macroeconômica, a redução dos spreads bancários
concorreria para a dinamização da economia.
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