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PRATA DA CASA
Paulo Lino,
da boemia para os
porões do BC
Paulo Lino Gonçalves, diretor-secretá- mais especificamente no Programa diariamente, daí a busca de uma al-
rio da regional do Sinal em São Paulo, Geral de Benefícios Saúde (PGBS). ternativa possível de luta: o jornal “O
credita ao destino o fato de sua vida Paulistano da Freguesia do Ó, Paulo Ovo”, lançado em julho de 1979, que
profissional se confundir inteiramente Lino lembra que, nesse mesmo ano, propagou as ideias dos servidores do
com as atividades sindicais no Banco foi convidado a participar de reuniões, BC, no limite do que era possível falar
Central, para o qual prestou concurso um tanto quanto clandestinas, de dos assuntos inerentes à instituição.
em 1976, mesmo ano em que se um grupo de jovens servidores que
formou em Comunicação pela Facul- buscavam um jeito de manifestar seu Protagonismo do Mecir
dades Integradas Alcântara Machado inconformismo com a ditadura militar Paulo Lino participou de todas as
(Fiam). “Mas só ingressei no banco e com a direção do BC. “O autorita- etapas de criação do Sinal, desde
dois anos depois”, diz ele, por conta rismo reinante no país refletia-se, às os seus embriões – “O Ovo”, a
de uma tuberculose, fruto da vida vezes, de forma mais exacerbada, nas União Nacional dos Trabalhadores
boêmia de estudante de jornalismo, atitudes dos que exerciam cargos de do Banco Central (UNTBC) e a As-
detectada nos exames admissionais. chefia no Banco”, afirma. sociação dos Funcionários do Banco
Central (AFBC) –, mesmo quando
Quando tomou posse, em julho de O medo também era a dose de estava nos porões da instituição: o
1978, foi trabalhar na área de Pessoal, cicuta que os brasileiros engoliam
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