Page 25 - Por Sinal 37
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O problema no Brasil não é só de carga tributária alta, mas
também da natureza da carga tributária. Quer dizer, quem paga tributo
são os pobres. Paga-se sobre o consumo, sobre os serviços. E não se
paga sobre a renda e sobre o patrimônio.
medicina, o número de médicos é reduzido. E não adianta
as associações classistas dizerem que há médicos sobrando,
que não há. Porque foram criados novos serviços, como o
Samu, o Programa de Saúde da Família, as UPAs (Unidades
de Pronto Atendimento) – tudo isso emprega. Hoje, há uma
notória, principalmente no Nordeste, escassez de mão de
obra. Além da criação de novas faculdades, são necessárias
novas residências, para qualificar o médico e sanar esse
problema. Então, o SUS tem as suas insuficiências e defi-
ciências, tem problemas de gestão, de qualidade na oferta
de vários serviços, mas é o SUS que atende exclusivamente
70% da população brasileira. Ou seja, nós não temos para
onde correr, temos é que melhorar o SUS, aumentar o seu
financiamento.
O senhor não tem um projeto para financiar a saúde
pública?
Eu propus a criação de uma fonte de financiamento
estável, uma fonte específica e substancial, a CSS (Contri-
buição Social para Saúde). Mas a CSS vai ser progressiva,
não vai tributar todos iguais, vai ter uma faixa de isenção
grande, vai excluir os pobres e permitir às pessoas físicas,
até determinado nível de renda, até 20 salários mínimos,
compensar o que pagou no Imposto de Renda, com uma
série de mecanismos que tendem a taxar apenas aqueles
que mais movimentam e que têm capacidade contributiva.
Porque o problema no Brasil não é só de carga tributária
alta, mas também da natureza da carga tributária. Quer
dizer, quem paga tributo são os pobres. Paga-se sobre o
consumo, sobre os serviços. E não se paga sobre a renda
e sobre o patrimônio.
abril 2012 23

